10 de julho de 2026
Política

Socialista de Bauru disputa governo

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O economista e advogado bauruense Carlos Roberto Pittoli, 56 anos, vai disputar o governo do Estado pelo PSB. Ontem, a executiva estadual do partido escolheu Pittoli para substituir Jacó Bittar, que desistiu de sua candidatura a governador.

Pela primeira vez a disputa pelo governo do Estado contará com um bauruense. Além dele, Cláudio Turtelli, também de Bauru, ocupa a candidatura de vice-governador pelo PV.

Logo após a escolha, o candidato a presidente da República Anthony Garotinho (PSB) telefonou para cumprimentar Pittoli e lhe desejar sorte. Os dois devem se encontrar em São Paulo na segunda-feira para um corpo-a-corpo com o eleitorado paulistano. A seguir, a entrevista com o candidato:

Jornal da Cidade - O senhor acaba de ser indicado candidato a governador pelo PSB. Como o senhor se sente? Carlos Roberto Pittoli - É uma satisfação. Estou bastante emocionado. Eu estava em Curitiba quando fui informado de que alguns companheiros estavam articulando meu nome. Havia seis indicações, mas a executiva fechou com o meu nome.

JC - Jacó Bittar, em São Paulo, e Lídice da Mata, na Bahia, desistiram da candidatura a governador pelo PSB acusando Anthony Garotinho de direcionar a campanha para o segmento evangélico. O que o senhor pensa disso? Pittoli - O problema do direcionar é ocupar espaço. O Garotinho está trabalhando dentro de um espaço.

JC - O senhor concorda com esse comportamento de Anthony Garotinho? Pittoli - Eu acho que ele agiu de maneira correta porque ele é evangélico. E o pessoal resolveu apoiá-lo. Os evangélicos acreditam nele. Isso não impede, porém, que outros segmentos atuem no apoio ao Garotinho. E ele não estava impedindo isso. Mas só que começam as futricas que vão dando a entender que ele quer se isolar de tudo e ficar só ligado a isso. E isso não é verdade.

JC - O senhor já conversou com Garotinho hoje (ontem)? Pittoli - Nos falamos há poucos instantes por telefone. Ele me mandou um recado que me emocionou. Ele disse: ‘Você veio para dar força para a gente. Isso é maravilhoso. Vou estar com você aí; vamos fazer carreata e comício em Bauru’.

JC - O senhor é uma pessoa desconhecida do eleitorado paulista. O tempo de TV do PSB será de aproximadamente cinco minutos por dia. Isso é suficiente para torná-lo conhecido? Pittoli - É um espaço razoável. Acho que sendo claro, preciso e conciso é possível utilizar o tempo de forma ideal. Teremos que nos adaptar. Vamos usar esse tempo de forma inteligente. O que me entusiasmou é que o partido criou uma comissão de apoio. É uma assessoria política fantástica.

JC - Há informações de que o PSB está com dificuldades para arrecadar fundos para bancar a campanha. Como driblar esse problema? Pittoli - Não é dificuldade de arrecadar fundos. Na semana passada, Garotinho deixou bem clarro isso ao passar por Bauru. Bancos ofereceram dinheiro. É uma questão de você ter fundos disponíveis para poder trabalhar sem gastar muito. O PSB é um partido pequeno, de muita tradição, relativamente antigo no País. Conforme a candidatura vai se lançando e os debates vão acontecendo começa a aparecer dinheiro. Temos nove semanas pela frente.

JC - Qual o tom que o senhor pretende imprimir na sua campanha? Pittoli - Nós temos algumas coisas que eu considero fundamentais serem vistas e revistas. Na questão da segurança pública vamos dedicar um carinho especial e pensar na unificação policial. A assessoria do partido deverá ter, até a semana que vem, um esqueleto de todo o programa.

Quem é Pittoli

O economista e advogado Carlos Roberto Pittoli nasceu em Avaí/SP no dia 3 de julho de 1946. Sargento do Exército, serviu em Quitaúna/SP.

Após a saída do capitão Lamarca e de seus companheiros de guerrilha urbana daquela unidade, Pittoli foi preso e torturado sob a acusação de participar da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Integrou o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8).

Detido durante dois anos e três meses, ele amarga seqüelas físicas. Após conseguir liberdade, denuncia publicamente a morte na tortura de companheiros considerados desaparecidos.

Colaborou na organização do Comitê Brasileiro pela Anistia, que buscou, por meio pacífico e institucional, a liberdade de presos políticos.

Exonerado do Exército, conseguiu trabalho como corretor de letras de câmbio. Nas horas vagas, estudou e se formou em ciências contábeis, economia e direito.

Em 1986, disputou uma vaga à Câmara dos Deputados pelo PCB. Em seguida, desligou-se da militância partidária e só voltou a se filiar em 2000.

No PSB de Bauru, exerce a função de tesoureiro da executiva municipal, cargo do qual vai se licenciar para disputar o governo.