08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Zorba, o grego

João Álvares
| Tempo de leitura: 1 min

Ao Norte da cidade de Egina, em Livádi, na Grécia, uma placa marca a casa onde Nikoskazantzá anos atrás escreveu o livro “Zorba, o Grego”, depois convertido num filme campeão de bilheteria internacional, estrelado por Anthony Quinn, recentemente falecido.

“Zorba, o Grego” é um livro de rara beleza e profundidade e do qual guardo um diálogo que não dá para esquecer, pois se parece com a história do nosso Brasil atual, onde quase 80 milhões de brasileiros, nossos irmãos em Cristo, vivem em estado de miséria total, comendo, quando podem, alguma coisa uma vez por dia.

A má distribuição de renda (comentada por todos, mas o governo não está nem aí) é um crime que brada aos céus em terras do nosso País. Até quando o povo brasileiro, tão sofrido, judiado e esquecido, suportará o duro calvário em que se arrasta, com a cruz da fome, da doença e do analfabetismo, incluindo agora o terrível desemprego total, sangrando seus ombros e seu coração? Até quando? Vamos voltar ao assunto, Zorba:

- Patrão, deixa o povo assim como está, sem abrir os olhos, disse Zorba. Supondo que abrisse os olhos do povo, o que veriam eles? Sua miséria. Deixa-os assim, de olhos fechados. Deixa-os prosseguir, sonhando apenas...

Zorba silenciou uns momentos e coçou a cabeça. Estava pensativo. A não ser que... A não ser o quê? Continua, explica melhor... A não ser que possas mostrar-lhes um mundo melhor, quando eles abrirem seus olhos. Um mundo melhor que a escuridão na qual tateiam e se arrastam, agora. Por acaso conseguirás realizar este milagre?

Qualquer semelhança com a atual situação crítica que atravessa nosso País e o nosso povo: sofrido, espezinhado, massacrado e excluído é mera coincidência!... (João Álvares)