A ideologia político-partidária caiu por terra nas eleições marcadas para outubro deste ano. A constatação é visível a partir de uma simples análise das alianças firmadas entre os partidos, das quais algumas revelam puro casuísmo eleitoral.
Legendas que até pouco tempo eram consideradas “puras†no campo ideológico se aliaram a partidos conservadores, na busca de mais espaço junto ao eleitorado. O oportunismo político tem objetivo: garantir chances reais de conquistar o poder.
Embora a maioria do eleitorado não consiga visualizar o quadro político-eleitoral com clareza, as coligações, amarradas através da verticalização, proporcionam comentários picantes entre analistas.
Embalado no discurso de que a política é dinâmica, num passado recente não seria possível imaginar que o PPS - herança do antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) - se coligaria em nível nacional com o PTB, legenda considerada conservadora e governista.
A coligação “Frente Trabalhistaâ€, encabeçada pelo candidato Ciro Gomes (PPS), carrega, além do PTB, o PDT, personificado na figura do ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola. O líder pedetista sempre foi um crítico contumaz do PTB, que perdeu sua identidade após o fim da era do getulismo.
O comportamento do PT na instância nacional é o que provoca mais polêmica. Depois de muitas discussões e rachas internos, os petistas se aliam aos liberais do PL para ampliar o espectro eleitoral e garantir uma performance real em outubro.
Desordem ideológica
O quadro político que se formou a partir da legalização das alianças em níveis nacional e estadual provoca alinhamentos exóticos.
Exemplo claro disso é a coligação “Lula Presidenteâ€, que envolve os partidos PT/PL/PC do B/PMN/PCB.
No Estado de São Paulo a aliança não se repetiu. O PL paulista se coligou com a frente “Resolve São Pauloâ€, liderada pelo PPB do candidato a governador Paulo Maluf.
Com isso, eleitores e militantes do PL têm como candidatos Lula para a Presidência da República e Maluf para o Governo do Estado.
A história política mostra, ao longo dos anos, que as duas lideranças são inimigas ideológicas. Viabilizar um ponto de convergência é pura utopia.
O PSB do candidato presidenciável Anthony Garotinho carrega o socialismo como bandeira. Intitulada frente “Brasil Esperançaâ€, a coligação reúne o PSB, o PGT e o PTC.
Este último é o resquício do que sobrou do PRN, legenda que elegeu Fernando Collor de Mello à Presidência da República nas eleições de 1989.
O governista PFL rompeu com os tucanos em nível nacional após a derrocada da candidatura de Roseana Sarney, governadora do Maranhão. Os pefelistas amaldiçoam o PSDB como se fosse o próprio diabo.
Mas em São Paulo, seus dirigentes não hesitaram em flertar e consolidar um namoro político que rendeu a coligação “São Paulo em Boas Mãosâ€, responsável pela sustentação da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) ao Governo do Estado.
Cláudio Lembo, presidente da executiva estadual do PFL, ocupa a candidatura de vice de Alckmin.