09 de julho de 2026
Política

Eleição 2002 não tem pé nem cabeça

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

A ideologia político-partidária caiu por terra nas eleições marcadas para outubro deste ano. A constatação é visível a partir de uma simples análise das alianças firmadas entre os partidos, das quais algumas revelam puro casuísmo eleitoral.

Legendas que até pouco tempo eram consideradas “puras” no campo ideológico se aliaram a partidos conservadores, na busca de mais espaço junto ao eleitorado. O oportunismo político tem objetivo: garantir chances reais de conquistar o poder.

Embora a maioria do eleitorado não consiga visualizar o quadro político-eleitoral com clareza, as coligações, amarradas através da verticalização, proporcionam comentários picantes entre analistas.

Embalado no discurso de que a política é dinâmica, num passado recente não seria possível imaginar que o PPS - herança do antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) - se coligaria em nível nacional com o PTB, legenda considerada conservadora e governista.

A coligação “Frente Trabalhista”, encabeçada pelo candidato Ciro Gomes (PPS), carrega, além do PTB, o PDT, personificado na figura do ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola. O líder pedetista sempre foi um crítico contumaz do PTB, que perdeu sua identidade após o fim da era do getulismo.

O comportamento do PT na instância nacional é o que provoca mais polêmica. Depois de muitas discussões e rachas internos, os petistas se aliam aos liberais do PL para ampliar o espectro eleitoral e garantir uma performance real em outubro.

Desordem ideológica

O quadro político que se formou a partir da legalização das alianças em níveis nacional e estadual provoca alinhamentos exóticos.

Exemplo claro disso é a coligação “Lula Presidente”, que envolve os partidos PT/PL/PC do B/PMN/PCB.

No Estado de São Paulo a aliança não se repetiu. O PL paulista se coligou com a frente “Resolve São Paulo”, liderada pelo PPB do candidato a governador Paulo Maluf.

Com isso, eleitores e militantes do PL têm como candidatos Lula para a Presidência da República e Maluf para o Governo do Estado.

A história política mostra, ao longo dos anos, que as duas lideranças são inimigas ideológicas. Viabilizar um ponto de convergência é pura utopia.

O PSB do candidato presidenciável Anthony Garotinho carrega o socialismo como bandeira. Intitulada frente “Brasil Esperança”, a coligação reúne o PSB, o PGT e o PTC.

Este último é o resquício do que sobrou do PRN, legenda que elegeu Fernando Collor de Mello à Presidência da República nas eleições de 1989.

O governista PFL rompeu com os tucanos em nível nacional após a derrocada da candidatura de Roseana Sarney, governadora do Maranhão. Os pefelistas amaldiçoam o PSDB como se fosse o próprio diabo.

Mas em São Paulo, seus dirigentes não hesitaram em flertar e consolidar um namoro político que rendeu a coligação “São Paulo em Boas Mãos”, responsável pela sustentação da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) ao Governo do Estado.

Cláudio Lembo, presidente da executiva estadual do PFL, ocupa a candidatura de vice de Alckmin.