Cada vez mais, as mulheres estão presentes na economia brasileira. A participação feminina no mercado de trabalho, por exemplo, é um fenômeno crescente no País. Mas a mulher também está atenda às novas oportunidades de negócios e chega com muito talento e habilidade para pequenos empreendimentos.
Levantamento do Banco do Povo Paulista, da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert), mostra que as mulheres já respondem por 52% da clientela do programa de microcrédito do Governo do Estado, que oferece novas oportunidades de negócios para o pequeno empreendedor. São costureiras, cozinheiras, confeiteiras, artesãs entre outras profissões, que agora podem recorrer ao crédito fácil e barato do Banco do Povo para compra de equipamentos ou capital de giro. Assim, podem aumentar o seu negócio, ganhar mais dinheiro e melhorar a qualidade de vida.
Muitas vezes, são pequenos negócios que começam em casa, com a colaboração de outros membros da família, e ainda estão no mercado informal – 77% dos clientes - como aponta relatório do programa. Apenas 23% estão no mercado formal. Nossa expectativa é ver o crescimento desses empreendedores, para que no futuro conquistem maioridade nos negócios e entrem para o mercado formal.
Com certeza, o financiamento do Banco do Povo era a ferramenta que faltava para muitas empreendedoras paulistas, que estão se transformando nas principais personagens de uma verdadeira história de sucesso. Um exemplo é o da ex-dona-de-casa de Cravinhos, interior do Estado, hoje empresária bem-sucedida. Decidida a ter um empreendimento próprio, ela logo percebeu a falta de um açougue no bairro. O marido, trabalhador do Matadouro Municipal, ensinou as técnicas, que ela logo colocou em prática na produção de lingüiça caseira e comércio de carne de porco. A qualidade e higiene dos produtos foram alguns dos fatores do sucesso do negócio, que cresceu tanto que ela procurou o Banco do Povo Paulista para montar um açougue, hoje referência no bairro.
Em Jacareí, no Vale do Paraíba, uma artesã encontrou no programa a fonte para financiamento da sua produção e já está no seu terceiro empréstimo, de R$ 500, para compra de juta. Com uma clientela cativa, atende floriculturas da cidade, principalmente em datas festivas, como Dia das Mães e Dias dos Namorados. Desde que conheceu o programa, já ampliou em cerca de 50% sua produção e empregou um sobrinho, que ajuda na confecção das peças.
Atualmente, o Banco do Povo Paulista está presente em cerca de 200 municípios paulistas, oferecendo financiamento entre R$ 200 e R$ 5 mil para pessoas físicas e de até R$ 25 mil para cooperativas e associações, com a menor taxa de juros do mercado – apenas 1% ao mês. O sucesso do programa pode ser comprovado pelos números: cerca de R$ 50 milhões em crédito e 22 mil contratos foram realizados desde o seu lançamento, em 1998. A taxa de inadimplência é de 2%, sendo que em alguns municípios a porcentagem chega a zero.
O programa é reconhecidamente uma importante ferramenta de inclusão social, sem burocracia e sem retórica. As estimativas indicam que para quatro empréstimos efetivados, três novos empregos são gerados.
É com grande satisfação que compartilhamos com o nosso leitor histórias de sucesso. No passado, essas pessoas encontravam as portas fechadas nas agências tradicionais dos bancos comerciais. Por falta de opção, essa gente, que trabalha duro para ampliar o seu pequeno empreendimento, deixava de criar novas oportunidades de emprego para milhares de pessoas e até mesmo de melhorar a sua própria vida, com a ampliação de sua produção. Hoje, o Banco do Povo Paulista é um parceiro fiel e sempre presente, e que está ajudando muita gente a ganhar dinheiro e mudar de vida.
Walter Barelli, 63 anos, é professor da Unicamp, foi Ministro do Trabalho (gestão Itamar Franco), secretário Estadual do Emprego e Relações do Trabalho (gestão Mário Covas/Geraldo Alckmin) e diretor do Dieese.