08 de julho de 2026
Geral

Sino da maria-fumaça tocará em 2003

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

Até 2003, os moradores de Bauru poderão lembrar (ou sentir pela primeira vez) a sensação de andar de trem. É para aquele ano que está previsto o início de operação do trajeto do Museu Ferroviário até a estação de Curuçá, na Vila Dutra, com a locomotiva 278.

Construída em 1919 pela empresa norte-americana Baldwin Locomotives Works e abandonada por muitos anos, a antiga maria-fumaça está sendo restaurada por meio do projeto “Ferrovia para Todos”, uma parceria da Secretaria Municipal de Cultura, Ferrovia Novoeste S/A e Associação Amigos do Museu.

Além dela, estão sendo recuperados um vagão tender (onde ficavam as caldeiras e era guardada a madeira) e um vagão de passageiros de 2.ª classe, ambos do início do século 20.

À Novoeste cabe a recuperação dos mecanismos necessários para a movimentação da composição, como truques, rodeiros, freios, caldeira, tubulações e parte elétrica. A secretaria executará os serviços de pintura, marcenaria e tapeçaria.

Como envolve composições históricas, o trabalho é lento. “Foram dois meses de pesquisas só para descobrir a cor da tinta utilizada internamente no vagão de passageiros”, conta Sérgio Losnak, secretário municipal da Cultura.

Obstáculos como esse, no entanto, não desanimam os funcionários envolvidos diretamente com o projeto. “Há um clima de euforia. As pessoas se mostram encantadas”, garante Losnak.

O encantamento pode ser confirmado nos olhos do pintor Danilo Pessoa de Almeida, 57 anos, um dos servidores municipais participantes do projeto.

“Pintando os bancos do vagão de passageiros me vêm na cabeça as lembranças da adolescência, quando levava almoço para o meu pai na ferrovia e aproveitava para ver os trens. Era meu divertimento”, relata o pintor, cujo pai - já falecido - trabalhou por 35 anos na Noroeste do Brasil (NOB).

Mexer com a memória emocional das pessoas é exatamente a idéia do “Ferrovia para Todos”, projeto que tem o apoio do ex-ferroviário Antonio Roberto Demampera, 56 anos, que entrou na Cia. Paulista em 1965, depois se tornou funcionário da Fepasa e, posteriormente, da Ferroban.

Demampera afirma ter sido o maquinista mais novo da Fepasa, após nove anos de vida ferroviária. â€œÉ que sempre foi exigido ter pelo menos 30 anos de serviço para ser maquinista de trem de passageiros e eu o fui após cinco anos como maquinista de trem de carga”, relata.

A função foi exercida até 1995, quando se aposentou. Durante esse período, comandou o trem entre os trajetos Jundiaí-Bauru e Bauru-Panorama, sempre cheio de passageiros. “Tenho uma saudade enorme. O trem faz muita falta e por isso apóio o projeto”, garante Demampera, cujo pai e avô também foram ferroviários. “São 95 anos de ferrovia”, completa.

Serviço

Mais informações sobre parcerias e doações podem ser obtidas na Secretaria Municipal de Cultura, localizada na quadra 8 da avenida Nações Unidas. Telefones: (14) 235-1092 e 235-1072.

Parcerias

Além da locomotiva a vapor e os vagões tender e de passageiros, a Secretaria Municipal de Cultura pretende recuperar outras composições em processo de tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac).

Para tanto, a secretaria está em busca de parceiros que arquem com o custo financeiro, estimado em R$ 18 mil por vagão.

Uma das empresas que se mostraram interessadas no projeto é a Unimed. O convênio encontra-se em fase de ajustamento jurídico e depois deverá ser submetido ao conselho administrativo da cooperativa.

“A diretoria é simpática à idéia. Participar do projeto é agregar valor positivo à Unimed, que está há 31 anos em Bauru. Assim como a ferrovia, fazemos parte da história da cidade”, explica Marilda Luiza Brandão, gerente de marketing da Unimed-Bauru.