11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Livro discute papel do Estado na gestão da cultura


| Tempo de leitura: 2 min

Atual diretor-presidente da Fundação Padre Anchieta, Jorge da Cunha Lima enseja em seus artigos publicados na imprensa a defesa de uma política cultural clara para o Brasil, capaz de criar o que ele chama de cultura pública, na qual a presença do Estado possa resguardar patamares mínimos de qualidade. O pensamento de Lima sobre a questão agora pode ser conhecido por inteiro através do livro “Cultura pública: a organização política do sonho”, lançamento da Editora Senac São Paulo.

O volume é uma coletânea de artigos de Lima publicados durante 25 anos. Assim, os enfoques cobrem desde a eleição de Franco Montoro, o comício das “Diretas Já”, a morte de Tancredo Neves e a queda de Fernando Collor, até a disparada da inflação e a sucessão de planos econômicos, concluindo-se com as conseqüências do Plano Real para a deterioração da qualidade da cultura de massa, segundo enfoque dos textos.

Na verdade, o autor fez carreira defendendo aquilo que propõe em seus textos. Foi secretário estadual da Cultura em São Paulo e presidente da Associação Brasileira das Emissoras Públicas Educativas e Culturais. Combateu a predominância de critérios mercadológicos sobre a criação da cultura e procurou preservar a função do Estado como protetor de valores culturais importantes para uma socialização saudável.

“Parece-me claro que a sociedade democrática só poderia ser reconstruída com forte apoio na cultura, mas não apenas na cultura como expressão artística de um povo, mas sobretudo, pelo acesso que se deveria proporcionar aos bens culturais e artísticos produzidos”, escreve Lima.

A luta do autor do livro pela cultura pública é uma luta por princípios republicanos. “Republicano é o cidadão que tem o sentido da (res) pública, da coisa pública como um bem que prevalece sobre interesses pessoais, de classe ou de grupos dominantes da sociedade”, ressalta.

Obviamente, é pessimista a percepção de Lima sobre os caminhos da cultura de massa brasileira - marcados pela inoperância do Estado e a supremacia do mercado, como ele aponta. Os episódios tratados nos artigos sinalizam, segundo Lima, “uma lamentável ausência de política pública de cultura no Brasil”.

• Serviço

O livro tem 352 páginas, custa R$ 44,00 e pode ser encontrado nas livrarias ou encomendado na unidade do Senac em Bauru, que fica na avenida Nações Unidas, 10-22, telefone 227-0702. O endereço eletrônico é www.sp.senac.br/bauru