08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Está ruim, mas pode piorar


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Está ruim, mas pode piorar

Quero aqui externar minhas críticas ao secretário do Tesouro americano, Paul O’Neill, quando disse que os governantes brasileiros mandam o dinheiro do FMI para contas na Suíça. Que sujeitinho mais mal informado. Antes de soltar um argumento desse, deveria saber que ainda existem Caimã, Ilhas Jersey e vários outros paraísos fiscais. Além disso, muito desse dinheiro é empregado em mansões, fazendas, jatinhos e gastos aqui mesmo. Aliás, nem sei porque o O’Neill quer se meter onde não é chamado. Isso é um problema para a Justiça brasileira. Por isso mesmo, de tão preocupado com a Justiça é que FHC mantém, há oito anos no cargo, o “Engavetador Geral” da República, Geraldo Brindeiro, e, no mesmo período, já fez oito substituições dos ministros da Justiça. Quando um desses ministros quer fazer a justiça funcionar, deixa de servir aos interesses do governo. O bom mesmo é criar nomes pomposos, tipo: Ministério da Corrupção (que em 4 anos nada fez), forças-tarefa, esforço concentrado, etc. Tudo paliativo para encobrir os males maiores e o povo, ahh, o povo se regozija a cada eleição, acreditando piamente nas propagandas eleitorais, que afirmam que o poder dele é o do voto. Como é bom ser eleitor, ser cidadão, que prazer em apertar o botãozinho da urna eletrônica. Se deu errado, calma, daqui há quatro anos você coloca outro malandro, quer dizer, outro candidato no cargo. Enquanto isso, a corrupção endêmica alastra-se diuturnamente, numa voracidade assustadora, a amealhar grande parte das verbas do ensino (Fundef), do trabalho (FAT), dos orçamentos públicos, etc. O crime, esse nem se fala, já tem até quartel-general protegido pela polícia; alegria de criminoso do crime organizado é ir para a cadeia, pois o governo desorganizado não tem como impedir sua atuação lá dentro. Prefeitos, vereadores, deputados, senadores, disputam no tapa quem vai fazer o quê, vai levar o quê, vai cobrar o quê e de quem, quando se trata de obras e serviços públicos. O’Neill é mesmo um intrometido. Só porque lá, em menos de dois meses do primeiro escândalo financeiro, quando algumas empresas ocultaram seus balanços (obs: não tem nada a ver com desvio de dinheiro público), o Congresso aprovou penas mais severas, o presidente a sancionou e os empresários saíram algemados em carros da polícia, ele pensa que tem mais moral. Ora, quem não se lembra do clássico caso do Banco Nacional, do senador baiano que deu um rombo de R$ 10 bilhões. Nosso presidente também agiu rápido: criou um programa chamado de Proer e, com dinheiro público, cobriu o rombo. Tudo bem, nas mãos da família Magalhães não ficaram algemas, apenas o dinheiro, mas isso é um mero detalhe. Para quem acha que chegamos ao fundo do poço e que não pode piorar mais, não seja pessimista. Como a única coisa organizada aqui é o crime, ainda dá para chegar mais fundo, infelizmente. (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)