09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Comércio exterior aumenta, apesar de flutuação do dólar

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

As bruscas oscilações do dólar nos últimos 15 dias não se traduziram em perdas significativas para o comércio exterior de empresas de Bauru e região, pelo menos por enquanto. Na Estação Aduaneira do Interior (Eadi) de Bauru, o valor em dólar das importações efetuadas em julho aumentou em 108% se comparado ao mês de junho. A soma do valor em dólar das exportações também aumentou em julho, registrando 71,5% em relação ao mês anterior.

As informações são de Wilson Batista Souto, presidente da Companhia Paulista de Armazéns Gerais Aduaneiros Exportação e Importação (Cipagem), que administra a Eadi-Bauru. Souto não revela as cifras das transações internacionais realizadas, mas declara que o estoque está cheio.

Quanto à boa performance registrada no último mês, no entanto, o presidente da Cipagem prefere atribuí-la, em parte, à suspensão da greve dos auditores fiscais da Receita Federal. Como as mercadorias que chegavam permaneciam paradas nos portos, a liberação do volume acumulado de uma só vez produziu números altos.

Além disso, Souto prevê que a flutuação do dólar deve mesmo retrair as importações, mas ressalta que isso só poderá ser percebido daqui a dois ou três meses. Mercadorias que vêm da Ásia por navio, por exemplo, só chegam ao Brasil cerca de 40 dias depois.

“Nós vamos sentir as conseqüências do que está acontecendo com o dólar só daqui a 30 ou 60 dias. O que já foi fechado, está fechado”, diz Souto.

Na opinião do presidente da Cipagem, o dólar a uma cotação elevada, mas estável, não é tão prejudicial ao comércio exterior como às oscilações bruscas. “O problema é a flutuação do dólar. O valor não é tão interessante, o que interessa para o comércio exterior é a estabilidade”, diz Souto.

Na opinião dele, quando o produto chega ao Brasil com o dólar valendo R$ 3,45, e no dia seguinte a cotação cai a R$ 3,20, a empresa é obrigada ou a aguardar o câmbio voltar ao patamar anterior ou a reduzir sua margem de lucro.

Estratégia

A empresa Trelleborg do Brasil, instalada em Lençóis Paulista, distribui pneus para máquinas agrícolas importados da matriz na Suécia, e de fábricas nos Estados Unidos e na Ásia. De acordo com o gerente de importação da empresa, Maurílio José Netto, a alta do dólar ainda não foi repassada para os clientes.

“Nós não perderemos as vendas, mas teremos que reduzir a margem de lucros”, afirma Netto. Ele revela, no entanto, que a empresa já pretende aumentar os preços entre 5% e 10%, índices que, segundo revela, foram bem aceitos pelos compradores. “Eles esperavam um repasse maior”, conta.

Para um dos gerentes da Volvo, multinacional instalada em Pederneiras, João Álvaro Ruiz Filho, ainda não é possível avaliar os efeitos reais dos “altos e baixos” da moeda americana nos útlimos dias.

A filial da empresa, que tem sede na Suécia, produz maquinário agrícola e importa componentes. De acordo com Ruiz Filho, é necessário esperar pelos próximos 60 dias para verificar se haverá repasse no preço dos produtos ou se a produção será afetada. “Não estamos sentindo nada. Estamos mais ouvindo dizer que (a flutuação do dólar) é um problema do que percebendo de fato”, declara.

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Benefícios

Empresas que têm superávit na balança comercial, ou seja, em que as exportações superam as importações, o dólar cotado a valores altos traz benefícios.

“Na importação, obviamente, os custos aumentam, e na importação os custos diminuem. Portanto, existe vantagem na exportação”, aponta Luiz Francisco Vicentini, gerente de exportação da Tilibra.

Segundo ele, 90% a 95% do comércio exterior da empresa é de exportações para 16 países, principalmente Estados Unidos. “O dólar alto mais nos beneficia do que prejudica”, revela Vicentini.

Ao contrário das empresas que importam muito, as exportadoras sentem de imediato os efeitos da alta da moeda americana. “Os embarques são feitos hoje e o reflexo é sentido depois de algum tempo. Mas os embarques que foram realizados há um ou dois meses, e que nós estamos recebendo hoje as divisas, estamos tendo uma variação cambial positiva”, explica o executivo.

De acordo com Vicentini, a empresa trabalha com a expectativa de um patamar de cotação - não revelado - para manter os resultados recentes. “A oscilação não nos prejudica desde que o dólar não caia para um patamar abaixo do que projetamos como ideal”, afirma.