As eleições de 2002 se aproximam e novamente nos deparamos com os mesmos desafios de outras épocas. Apesar de alguns avanços em determinados campos (mais por amadurecimento da população do que por determinação política do governo), o Brasil continua com um déficit gigantesco nos índices sociais. A questão do papel da mulher na sociedade é um dos pontos que precisam ser lembrados e discutidos no período eleitoral. Apesar das conquistas das últimas décadas, a mulher ainda não foi alçada a um patamar de igualdade com os homens, principalmente no mundo político e no momento de efetivamente exercer e dividir o poder. Prova disto é o papel da candidata a vice-presidente na chapa governista de José Serra, Rita Camata, que figura ao lado dele como mero instrumento estético, ou seja, porque é bonita, e assim pode amenizar as intempéries que a imagem de Serra causa na população. Não é à toa que um articulista de uma importante revista semanal escreveu que Patrícia Pillar é muito mais “vice†de Ciro, e Rita é muito mais “esposa†de Serra, invertendo os papéis reais que as duas mulheres têm na vida desses candidatos. E é este o ponto importante. A mulher não pode mais ser relegada aos papéis figurativos, ao esteriótipo de “acompanhante†do homem. Mesmo porque, com a grave crise de desemprego pela qual passamos, nas classes menos favorecidas é a mulher quem acaba assumindo o papel de arrimo da família e, infelizmente, ao homem desempregado, muitas vezes sobra o desencanto e a bebida. É triste, mas é o que se vê nos boletins de ocorrência de qualquer delegacia da mulher. (Luís Paulo C. Domingues - RG. 17115765)