11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Taxa da poupança não deve assustar

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A queda de 28,9% na rentabilidade que a Caderneta de Poupança teve na comparação com o dólar durante os sete primeiros meses deste ano não é motivo de preocupação para os pequenos investidores que têm dinheiro aplicado nesta modalidade. A afirmação é dos economistas consultados pela reportagem. A aplicação continua sendo segura e as perdas registradas na poupança neste período seriam muito mais um reflexo do atual quadro de insegurança econômica e política instalado no País do que, propriamente, um resultado negativo.

De acordo com o economista Wagner Ismanhoto, este não é o momento certo para trocar de aplicação dentro do mercado financeiro, no caso de quem utiliza a Caderneta de Poupança. Segundo ele, o ideal seria aguardar por cerca de mais um mês, até o cenário econômico se acalmar um pouco. Alguns analistas de mercado já prevêem, por exemplo, que o acordo feito ontem entre o Governo Federal e o Fundo Monetário Internacional (FMI) - de US$ 30 bilhões - resulte no recuo do dólar para o patamar de R$ 2,90.

“O momento é, se for preciso, de trocar o item maior rentabilidade pela segurança. A poupança tem justamente essa característica. Apesar de se manter em 0,7% de rendimento ao mês, ela deixa o pequeno e, muitas vezes, inexperiente investidor de fora dos riscos e das oscilações do mercado. Sair da poupança agora, para recuperar algo que tenha deixado de ganhar, pode resultar em mais perdas para o aplicador”, orienta o economista.

Ismanhoto destaca que não existe regra quando se trata de mercado financeiro. “O que existe são situações conjunturais. Ninguém pode dizer que quem aplica em dólar vai ganhar mais do que quem investe na poupança. No primeiro semestre do ano passado, por exemplo, a poupança foi o melhor investimento”, diz.

Perfil

O primeiro item a ser analisado por quem tem recursos a serem aplicados no mercado financeiro é o perfil do investidor. Para quem é conservador, a Caderneta de Poupança e o CDB são ótimas opções, segundo o economista. Para quem tem perfil mais arrojado e gosta de “fortes emoções”, no momento a bolsa de valores aparece como uma ótima modalidade, já que as ações estão em baixa. “Esse é o momento ideal para quem se interessa por esse nicho. O mercado de ações nada mais é do que comprar quando as cotações estão em baixa e vender as ações quando estiverem em alta. Então, tudo depende do perfil, do montante de recursos disponíveis para a aplicação e de quanto tempo a pessoa pode ficar com o dinheiro aplicado”, afirma Ismanhoto.

CDB

O economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) Reinaldo César Cafeo concorda que não se pode comparar a rentabilidade da poupança com o dólar em função da atual conjuntura econômica do País. Contudo, diz que, dependendo do valor que o investidor possui aplicado, pode valer a pena sair da Caderneta de Poupança para o CDB.

â€œÉ muito temeroso comparar a escalada do dólar com remuneração de poupança, até porque, dólar não é aplicação, é proteção de capital. Contudo, é fato que quem tem até R$ 5 mil aplicados em poupança, não conseguirá remuneração superior à que vem obtendo hoje. A outra opção natural seria o CDB, já que a taxa bruta de rentabilidade está em torno de 1,2% ao mês, dependendo do valor”, observa.

Contando a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e outros descontos quando se tira dinheiro da poupança para passar para o CDB - já que para isso é preciso passar, ainda, por uma conta corrente -, passa a ser interessante fazer essa troca para valores acima de R$ 30 mil, segundo Cafeo. Isso porque aumenta a possibilidade de negociar taxas melhores com o banco. Abaixo desse montante, o mais indicado no momento seria permanecer na própria Caderneta de Poupança, porque em nenhuma outra aplicação se conseguirá rendimento superior.

Outras aplicações, como fundo de ações, seriam arriscadas no momento, na análise do economista. Comprar ouro também não seria ideal pelo fato da cotação estar muito alta: R$ 32,00 o grama. Outras opções seriam fora do mercado financeiro, como os ativos reais - terrenos e imóveis.