Agora é oficial e o Bauru Basquete, mesmo sem patrocinador master, mas com o apoio da comunidade, já se aquece para o Campeonato Paulista na Panela de Pressão. Na tarde de ontem, durante o treino da equipe, a diretoria anunciou a renovação do contrato do técnico Jorge Guerra, o Guerrinha por mais uma temporada. Além da permanência do técnico foi apresentado o ala/pivô Adão, vindo de Londrina para reforçar o grupo bauruense.
Desde a última segunda-feira, os jogadores Fernando Reis, Murilo, César, Bruno, Thulius, Zezinho, Quiroga, Kell, recém-chegado de uma temporada nos Estados Unidos, e Marcus Vinícius, que se divide entre o assédio de várias equipes, mas ainda tem dois anos e meio de contrato com Bauru, treinam na companhia do pivô Brasília e do armador Raul, que mesmo sem contrato e com as situações ainda indefinidas, participam do trabalho tático e técnico.
Segundo o presidente da equipe Caio Coube, o Bauru Basquete vive um momento de transição que mescla um certo alívio por ter o time em quadra, mas delicado por precisar de recursos para obter os reforços de jogadores mais experientes e manter a equipe nas competições nacionais e internacionais de participação garantida.
“Forçosamente tivemos que optar por um plantel jovem, mas acreditamos na capacidade do elenco e no talento, na experiência e personalidade do Guerrinha para continuar essa trilha de vitórias. Mas segue o nosso trabalho e apelo para que a comunidade nos dê apoio para que continuemos a ser motivo de orgulho. Quanto maior o apoio, maior nossa capacidade de vitóriaâ€, desabafou Coube.
Reduzindo todos os custos, o vice-presidente Vinícius Coube revela que R$ 50 mil mensais seriam suficientes num primeiro momento para manter o time e efetivar a contratação de Brasília e Raul, prioridade que está sendo trabalhada pela diretoria em contato com o empresariado local e na massificação da campanha para sócios-torcedores. Estes recursos de co-patrocínio seriam paliativos até a conquista de uma cota master e reforçariam o grupo após a volta da estabilidade.
Vinícius ressaltou que empresas como Sukest, Confiança, AD Seguros e Obeid já estão envolvidas e muitos torcedores já renovaram suas cotas, mas ainda não foi suficiente.
O reforço
Adão Alcides de Moura, tem 26 anos, nasceu em Campinas, onde moram seus pais, mas começou a jogar basquete em Rio Claro. Do interior, foi para a capital jogar no Corinthians e na Hebraica. Na temporada passada, o ala disputou o Brasileiro e venceu o campeonato parananese pelo Londrina/Sercomtel.
Ele conta que se interessou em vir para Bauru pela estrutura do basquete na cidade e os resultados obtidos nas competições “que refletem bastante o trabalho do técnico Guerrinhaâ€.
“Aqui é um excelente lugar para desenvolver o basquete e ganhar visibilidadeâ€, define o jogador que ontem mesmo começou a treinar.
O técnico Guerrinha aponta que ver novamente bola na Panela lhe traz satisfação. Ele conta que o trabalho realizado em Bauru e a filosofia da diretoria da equipe pesaram na hora de abrir mão de um bom percentual de seu salário e uma série de benefícios para permanecer no comando da equipe. “Adoro desafio e superação, por isso não sou mais nem parceiro do Bauru Basquete, sou sócioâ€, brinca. Mas Guerra está ciente do trabalho que desenvolverá com o elenco jovem para torná-lo competitivo. “Só bons jogadores não ganham campeonato, nem um técnico sozinho. Isso está provado. A equipe vai ter uma cara diferente, mas já desponta sua característica agressiva e voluntariosa.â€
Para um melhor entrosamento do grupo, este ano a equipe faz questão de participar dos Jogos Abertos, em setembro, na terra de Guerrinha: Franca. Aliás, ele reforça o apelo ao apoio dos torcedores relatando que a equipe francana retomou os ídolos Helinho e Chuí com apoio da comunidade dentro do projeto “Adote um Ídoloâ€.
Duas das maiores revelações da nova safra do basquete nacional, o armador do Bauru Leandrinho e o pivô Anderson Varejão, do Barcelona visitaram o treino da equipe bauruense. Os dois embarcam sexta-feira para a Argentina onde disputam com a seleção o torneio Super Four.
Leandrinho estava feliz com seu desempenho na seleção e diz que só depende dele a ida ao Mundial de Indianápolis. “Os jogadores mais velhos me mostraram que não era um bicho-de-sete-cabeças. Venci a ansiedade e me superei.â€