08 de julho de 2026
Cultura

Nossas raízes


| Tempo de leitura: 2 min

Que raízes?

Meu Deus, fico aqui pensando, onde foram parar nossas raízes.

Penso na minha infância e juventude, crianças e jovens em fila, mãos no peito, cantando o hino Nacional, a banda da escola tocando a marcha batida, e nossa bandeira subindo vagarosamente o mastro, tremulando ao vento, fazendo um contraste lindo com o azul de um céu limpidamente interiorano.

Olhos emocionados, coração palpitando, e, aquela emoção de fazer parte de uma escola, que amávamos, de uma Pátria, que sentíamos nossa!

Não sei se foram anos de inocência, ou se foram anos de muita sabedoria; o que sei, é que todos nos sentíamos felizes, sonhadores, lutadores.

Depois, as coisas foram mudando, paulatinamente a princípio, e vertiginosamente anos depois.

Deixamos o hastear da bandeira de lado, o cantar dos hinos, e de repente, já nem sabíamos qual hino era para que data nacional.

Os desfiles de 7 de Setembro foram deixados para trás, e o amor pela escola e pela Pátria, deixaram de nos emocionar.

Quando passeio por um shopping center leio tantos, “sale”, “off”, “hot dogs”, “hamburgers”!, “rent a car... Lelo’s Bar, Pizza Hut”... são tantos nomes estrangeiros, que penso estar pelos “malls” de Miami ou New York.

Onde andam nossos nomes tupiniquins, tão carregados de significados para nós?

A nossa “última flor do Lácio, inculta e bela”, não nos diz o suficiente, temos de lançar mão da Língua alheia.

Pode parecer cafonice, ou esquisitice, mas de grão em grão a galinha encheu o papo, e nossa nação brasileira, perdeu sua cara de Brasil tropical. E depois, todos já sabemos, casa onde falta o pão, todos gritam e ninguém tem razão!

Fico a me perguntar, até quando vamos nos ligar nos “Big Brothers” da vida, e gastar nosso tempo futricando a vida íntima e surreal de pessoas que não nos dizem nada, não têm nada a nos ensinar, a não ser palavrões, gestos escusos e uma devastação da intimidade que só interessa sempre a dois.

Confesso que devo estar ficando velha. Velha e rabugenta!! Será?

O que sei, é que não sou a única, portanto...

Entra ano, sai ano, entra século, passa século, entra novo milênio, e ninguém se importa de gritar ao mundo, que não somos robôs; que somos brasileiros lutadores, humanos, ternos, carregados de carinho, mas que estão dia a dia, a nos roubar a alegria, e a esperança.

Acho que só nos resta pegar o terço... mas e quem como eu, que nunca aprendeu rezar terço, faz o quê?

Sugiro a nós todos, brasileiros das mais diversas camadas sociais, que canja de galinha e paciência, nunca fez mal a ninguém! Que tal acabar a noite com um chá de raízes calmantes?

Que raízes? Aquelas que enterramos no fundo dos quintais.

(Ercília Ferraz de Arruda Pollice é poeta, pintora, escritora e colaboradora de Ju Machado-Escritório de Arte)