08 de julho de 2026
Articulistas

Faltou ele!


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Naquela mesa, decididamente, ficou faltando ele. O candidato oficial fez das tripas coração para esconder sua condição de chapa-branca e ferir de morte aquele que hoje, por razões óbvias, é o seu principal adversário. Valeu-se de números e mais números para mostrar que o concorrente não sabe fazer contas ou que não tem, digamos assim, apego à verdade. Jurou fazer tudo o que o seu chefe, com quem, dizem, mantém uma relação de amor e ódio, não fez nos últimos oito anos.

O atingido, por sua vez, retrucou, lembrou que tem passado limpo e sempre foi coerente, mas não rebateu os números do adversário. Se ele convenceu ou não a uns e outros, só o tempo e as próximas pesquisas dirão. O fato é que também ficou sem obter resposta de seu inquiridor quanto ao destino que a turma dele – que comanda o Titanic há quase oito anos – deu ao dinheiro das privatizações e aos recursos provenientes da brutal elevação da carga tributária, que saltou de 27% para 34% do PIB.

O caçula da turma, por sua vez, fez o gênero marotinho. Provocou os concorrentes, criticou suas alianças políticas, tentou vender a imagem de que é o que jamais foi ou será: um puro. Reiterou sua fé em Deus e no voto dos evangélicos. Ele não tinha nada a perder, e, salvo engano, nada perdeu. Chegou como lanterna. Saiu como tal. Daí a se dizer que fez feio, vai uma distância enorme. Até porque tem experiência comprovada em palanques, púlpitos e rádios populares.

O primeiro colocado nadou de braçadas. Ninguém, exceto o marotinho, o incomodou com perguntas inconvenientes. Nem mesmo a mais previsível – sobre sua suposta deficiência intelectual e sua inexperiência administrativa – lhe foi feita. O que acaba por derrubar a tese tão difundida entre nós, segundo a qual, para o brasileiro, o segundo lugar não vale nada. Pode não valer no futebol, mas na política vale muito. Afinal, é ele – o segundo lugar – que garante a passagem para o turno definitivo. A briga ali era de três por uma.

Como as propostas do 1.º ao 4.º colocados são muito parecidas, ao menos no discurso, como todos os candidatos tendem a criticar o que os outros já fizeram ou deixaram de fazer, como o empenho maior de cada um é no sentido de mostrar-se mais competente que os demais, como uns e outros sempre procuram desqualificar o passado e planos alheios, a impressão definitiva é que naquela mesa, de fato, faltou ele. Não porque ele seja muito diferente, mas porque ele é mais divertido. E já que nos falta o pão, que o venha o circo.

Ele nunca chegaria lá, mas há quatro anos berrava em alto em bom som:

- Teremos hordas de desempregados, legiões de famélicos!!!

Afinal, ele pode não ter boas idéias, pode ser reacionário até a medula, mas é preciso no diagnóstico. Como convém, aliás, a um cirurgião. (O autor, Orlando Silveira é jornalista - orlandosilveira@uol.com.br)