Cenas de um crime ocorrido no final de 2001 foram reconstituídas ontem na favela Ferradura Mirim de Bauru. O objetivo da reconstituição foi registrar visualmente o crime para dirimir dúvidas dos depoimentos colhidos durante o inquérito. Por se tratar de menor, não é permitido que o JC divulgue qualquer informação que leve à identificação do autor.
O crime aconteceu no dia 16 de dezembro de 2001, na rua 16, e teve origem em uma briga de família. A vítima, Rogério Aparecido Prado, 19 anos, servente de pedreiro, brigava com sua companheira, Fabiana Aparecida Generoso, por causa de um dinheiro que ela tinha guardado para fazer compras e ele, usado para comprar bebidas.
A discussão do casal foi além da casa. Eles passaram a brigar na rua. A mãe do adolescente, que era vizinho da vítima, saiu de sua casa e ao abrir o portão para a entrada do pai, foi ofendida pela vítima, que não gostou que ela presenciasse a briga.
A mãe teria sido ofendida com palavras de baixo calão, momento em que o adolescente chegava em casa, por volta das 20h. O menor não aceitou as ofensas e entre ele e a vítima teve início uma discussão. Os dois partiram para a luta corporal.
Quando o irmão do menor viu a briga, tentou apartar. Mas não conseguiu, porque houve a interferência de outras pessoas da família da vítima que passaram a atirar pedaços de tijolos sobre ele.
A briga prosseguiu até o momento em que o adolescente se apossou de uma faca de cozinha e desferiu um golpe certeiro. A faca atingiu o coração do servente de pedreiro que, mesmo socorrido, morreu.
O autor do crime fugiu com a arma e ficou foragido por cerca de 15 dias. Ele contou para a polícia que a faca foi atirada em um córrego que passa entre o bairro Tangarás e o Ferradura Mirim.
Dúvidas
A briga e o crime em si foram presenciados por vários moradores do bairro. Ao todo são 12 testemunhas, entre adultos e crianças, segundo o delegado Marcos Cremonesi, que coordenou a reconstituição.
Na versão apresentada pelo autor do crime, a faca surgiu no chão, no momento em que ele brigava com a vítima. Ele diz que não tinha a intenção de matar, mas que a vítima o estava ameaçando de morte durante a briga. Anteriormente, entre eles não havia pendências, aliás, um mal conhecia o outro.
Na versão de uma testemunha, a vítima e o autor do crime discutiram e entraram em luta corporal. Depois que o adolescente bateu na vítima, esta teria ido a sua casa e retornado para continuar brigando.
Na versão de outra testemunha, o autor do crime teria entrado em sua casa e pego a faca para brigar com a vítima. O acusado nega que tenha entrado na casa para pegar a arma.
Registro fotográfico
O registro fotográfico das cenas do crime foram solicitados pela Justiça. A Polícia Científica fotografou as versões para que o julgamento seja o mais real possível.
As testemunhas compareceram no local do crime e um estagiário fez o papel da vítima. A encenação chamou a atenção dos moradores da favela que permaneceram no local assistindo a reconstituição.
O menor, autor do crime, já não mora mais no bairro. Ele alega que foi ameaçado por várias pessoas após ter matado o servente de pedreiro.