10 de julho de 2026
Polícia

Caminhoneiro vira refém por três dias

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Dois homens armados, um deles com sotaque castelhano, roubaram um caminhão Mercedes Benz, placas KKH 5828/Petrolina PE. Para praticar o crime, eles renderam o caminhoneiro Francisco Cornélio da Silva, 47 anos, por três dias. A vítima foi libertada ontem sobre o viaduto da avenida Duque de Caxias com a Nações Unidas.

A polícia só tomou conhecimento do roubo na manhã de ontem, quando o caminhoneiro registrou os fatos. Segundo ele, os ladrões, um mais forte e outro magrinho, fugiram com o veículo em direção à Capital.

O roubo aconteceu na segunda-feira à tarde, na avenida Fortunato Molina, quadra 3, Distrito Industrial. O caminhoneiro tinha descarregado a carga de chapão de ferro em uma empresa, quando foi surpreendido por dois desconhecidos.

Os assaltantes estavam armados de revólveres e obrigaram a vítima a ficar na cama da boléia do caminhão. Os ladrões rodaram por cerca de seis horas e pararam em um matagal, onde passaram a noite. Na manhã seguinte, reiniciaram viagem por mais três horas aproximadamente.

Pararam em um local desconhecido da vítima, onde uma terceira pessoa, com um Gol branco, conversou com os dois ladrões. O caminhoneiro foi colocado no carro e levado para um galpão, onde ficou até a madrugada de ontem, quando os assaltantes trouxeram a vítima para Bauru, após percorrerem um grande trecho em estrada de terra. Ele foi libertado sobre o viaduto da avenida Duque de Caxias com Nações Unidas.

A vítima conta que não sofreu agressão física, só psicológica. “Eles levavam lanches e água para mim no galpão. Um deles, armado, ficou tomando conta de mim o tempo todo.”

Debutando como vítima

Francisco Cornélio da Silva confessa que passou os piores momentos de sua vida nas mãos dos ladrões. “Ontem, antes deles me libertarem, um deles sugeriu que eu fosse morto para não deixar provas.”

Silva diz que ficou apavorado com a hipótese de ser morto em um local desconhecido. “Eu não conheço ninguém por aqui. Teve um momento que um deles disse que se minha mulher fizesse ocorrência de desaparecimento, eu seria morto.”

Ele explicou que o caminhão não tem seguro. â€œÉ um caminhão novo e o seguro é muito caro. O veículo pertence ao meu sobrinho. Eles levaram o caminhão e o cavalinho.”

Ele conta que tinha descarregado a mercadoria quando foi abordado por dois rapazes. “Um mais forte e armado e um magrinho. Eles me obrigaram a deitar no banco do caminhão. Me seguraram por três dias no meio do mato. Esse é o primeiro assalto que sofro. Viajo pelo Brasil todo e nunca tinha passado por isso. Passei maus momento desde a hora que eles me pegaram. Tive medo porque um deles queria me eliminar para não deixar prova. O mais forte mandou eu sair correndo. Graças a Deus.”

Investigações

O caso foi registrado no 4.º Distrito Policial e as investigações serão desenvolvidas pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Ontem ele foi ouvido e liberado. “Eles levaram todos os meus pertences. Estou só com a roupa do corpo”, desabafou a vítima.