09 de julho de 2026
Saúde

Manter-se ativo para não 'enferrujar'

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Movimentar o corpo e usar a mente são as principais dicas dos especialistas para quem não quer “enferrujar” com o avanço da idade. Fazer atividades físicas, participar de cursos e manter bons contatos sociais ajuda o idoso a permanecer ativo, reduzindo as dores e atrofias comuns nesta fase da vida.

“A atividade física é imprescindível ao ser humano. No idoso, ela melhora as articulações, dá resistência e enrijece a musculatura, melhora a condição cardiovascular, além de colaborar no controle do colesterol e do peso”, comenta a professora Neusa Maria Carvalho Barbosa. Entre outras atividades, ela coordena grupos de dança e ginástica para idosos no Serviço Social do Comércio (Sesc), em Bauru.

Neusa e os geriatras Júlio Horta e Luciano Camargo ressaltam que a idéia de que o idoso só deve caminhar está comprovadamente ultrapassada há anos. Hoje, recomenda-se todo o tipo de exercícios aos idosos, incluindo musculação e aeróbica. “A diferença é que ele não salta mais, nem levanta peso excessivo. As atividades para o idoso são adaptadas de acordo com o limite de cada um”, afirma Neusa.

Ela comenta que a regra vale para todas as idades: antes de iniciar um programa de exercícios é preciso fazer uma avaliação médica. O profissional estuda o corpo humano e tem condições de dizer o que cada pessoa pode ou não pode fazer.

Ginástica sem dor

“Se pensarmos bem, o corpo é um cristal que não pode ser quebrado. Quando faço uma aula, sinto em mim o que eu gostaria que ele sentisse. Então, se eu percebo que estou forçando meu corpo, tenho que diminuir a intensidade”, observa a professora.

Para ela, a atividade física tem que ter a mobilidade e leveza das plantas. “A ginástica pesada lembra uma britadeira forçando o chão. A atividade ideal deve ser ondulada, suave e prazerosa. Desta forma, o exercício melhora 1.000 vezes o funcionamento do organismo e a pessoa, sentindo-se bem e feliz, adoece menos”, comenta.

Ela ressalta que as mulheres idosas, principalmente, realizam constantemente o que ela chama da “ginástica da dor”. São as atividades domésticas - varrer, lavar, passar - que exigem horas em pé ou com posturas inadequadas.

“Quando praticam um esporte, dança ou exercício físico orientados, elas fazem a ‘ginástica da saúde’. Elas ganham resistência, corrigem a postura e melhoram barbaridade suas ‘ites’ e ‘oses’, como artrites, artroses, lordoses... Melhorando tudo isso, elas compensam os trabalhos doloridos e vive melhor”, completa.

Adaptações

A professora observa, porém, que toda atividade física deve respeitar o limite individual. No caso dos idosos, as adaptações são fundamentais para os bons resultados.

“Os exercícios de alongamento do idoso, por exemplo, você pode fazer com o auxílio de bastões. Apoiando-se no bastão, ele faz um agachamento ou um apoio num só pé com mais facilidade, porque o bastão ajuda a dar equilíbrio para ele”, cita.

Outro exemplo são as atividades aeróbicas. “Você pode fazer uma aula com movimento de pernas, braços e tronco sem que ele tenha que saltitar”, afirma. Neste sentido, uma boa opção é a hidroginástica, já que a água tira completamente o efeito de impacto dos aeróbicos tradicionais.

As adaptações devem ser aplicadas também às modalidades esportivas. Nas aulas de vôlei do Sesc, os movimentos rápidos e fortes foram substituídos por passes de mão e arremessos. A contagem de pontos é a mesma, mas as partidas tornam-se mais lentas.

“Qualquer que seja a atividade, temos o cuidado de monitorar os batimentos cardíacos de nossos alunos. Pedimos que ele substraia a idade dele de 220 (fórmula científica). O resultado é o número máximo de batimentos que ele pode ter por minuto. Se ele começa com 100 e chega a 120 com certo esforço, eu sei que o ritmo volta ao normal em alguns minutos. Mas se ele passar disso, pode sofrer um mal súbito”, esclarece.