08 de julho de 2026
Saúde

Atitudes que tornam o envelhecimento saudável

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A melhor maneira de envelhecer bem é viver bem. Para isso, os cuidados com a saúde devem começar ainda na gestação. Mães que fazem o pré-natal e seguem as recomendações médicas durante a gravidez dão à luz crianças mais saudáveis. Muitas doenças sofridas pela gestante podem ser transmitidas para o feto e comprometer até sua sobrevivência.

Os cuidados devem seguir por toda a vida. Os bebês devem ser amamentados. Depois devem aprender a comer frutas, verduras, legumes, carnes. Devem receber todas as vacinas disponíveis, devem ser medicados sempre que necessário, devem ter seu crescimento acompanhado por especialistas, devem ser expostos ao sol somente nos horários adequados e assim por diante.

“O correto seria que todos fizessem essa transição do adulto para o idoso sem uma limitação aparente, sem uma barreira. Fazer disso uma coisa suave, quase imperceptível, natural. O envelhecimento deveria ser apenas uma mudança simpática de faixa etária”, observa o geriatra Luciano Camargo.

Segundo ele, o que acontece é que, como em todas as outras fases da vida, existem cuidados especiais para a etapa do envelhecimento. â€œÉ o que chamamos promoção da saúde, ou seja, coisas que podemos fazer para que a transição seja tranqüila”, explica.

Um destes itens, segundo ele, é aumentar o potencial de utilização dos sistemas. â€œÉ a lei do desuso. O idoso sedentário começa a ter atrofia muscular, que dificulta para andar. Quanto mais dificuldade, menos ele anda e maior é a atrofia. Ele acaba entrando num ciclo vicioso. Então, temos que usar mais o corpo para que ele funcione melhor”, exemplifica o médico.

Outra dica importante é fazer exames regularmente para diagnosticar eventuais doenças o mais precocemente possível. Mesmo que sejam doenças incuráveis, com o diabetes e a hipertensão, o controle é fundamental para evitar as complicações e garantir a qualidade de vida.

Além disso, o geriatra Júlio Horta lembra que muitas patologias são hereditárias. Se a predisposição for identificada com antecedência, é possível retardar a manifestação dos sintomas. "Um diabetes que começa aos 70 anos tem menos repercussões que aquele que apareceu aos 50 anos", afirma.

Na opinião de Camargo, as pessoas precisam promover a mudança de hábitos. Não fumar, não beber, alimentar-se bem, praticar exercícios físicos, prevenir traumas e acidentes.

â€œÉ justamente nesse item que nós (médicos) encontramos a maior resistência, porque o paciente sustenta aquele estilo de vida há muitos anos. Alguns dizem ‘tenho 80 anos, vivi assim até agora, já vivi bastante e não vou me limitar nos poucos anos de vida que tenho pela frente’. Nós vamos orientá-lo sobre o que poderia melhorar se ele mudasse, mas temos que respeitar. É a sua escolha”, salienta.

Camargo comenta que se o paciente tem uma expectativa de vida de mais 10 anos, parar de fumar agora vai beneficiá-lo nestes 10 anos. Cortar a gordura da comida vai beneficiá-lo nestes 10 anos. Porém, a atuação do profissional restringe-se à orientação. “E ficamos torcendo para que ele promova mudanças, nem que sejam discretas”, acrescenta.

Horta destaca, ainda, que a medicina oferece inúmeras possibilidades de repor artificialmente as deficiências que o ser humano sofre durante o processo de envelhecimento. Entre elas, ele cita as reposições de vitaminas, minerais, aminoácidos e hormônios. Ele observa que nem todos os profissionais preconizam este tipo de tratamento, mas ressalta que os adeptos têm obtido excelentes resultados.