“Carta de um filho a seu paiâ€, que sintetiza tudo que nós, os filhos, gostaríamos que nossos pais fossem, exercendo bem a sua vocação de pai.
Eu gostaria de escrever uma coisa linda para você, papai. Aqui estou eu de papel branco, branquinho, à minha frente, esperando as palavras que não vêm. Por que, papai, eu não encontro palavras para você?
Se você fosse uma árvore, eu lhe diria:
- Você é amiga, acolhedora de pássaros e de gente, carrega pingos de sol em sua floração esplendorosa. Você é igualzinho à jaboticabeira do nosso quintal.
Se você fosse um rio, eu lhe diria:
- Olhe, minhas mágoas se esvaem, meus sonhos vão crescendo e rolando neste meu diálogo com seu murmúrio, de dia e de noite.
Papai, você poderia tanto ser um céu! Céu azul; é cinza, e cheio de nuances, tem nuvens e estrelas e a gente, encontra tanto para dizer dele!
Você poderia ser até chuva! Como eu gosto de chuva! Ela me deixa renascido, sentindo-me como uma graminha seca que vai ficando verde, esperando um dia de sol para mostrar roupa nova.
Pai, por que você não é uma casa? A mesma casa onde cresci! Falaria, então, do seu frescor, do aconchego gostoso das suas paredes altas, do conforto do meu quarto que parece me abraçar todas as vezes que eu volto a ele.
Pai, por que você não é aquele cravo vermelho que nasceu, ontem, do craveiro novo que eu plantei, ou o canarinho, ou mesmo os coelhinhos brancos? (Profª Izabel Ramos)