As pesquisas feitas nos EUA mostraram que a popularidade do presidente George W. Bush depois do 11 de setembro saltou de aproximadamente 58%, em seus primeiros oito meses no cargo, para o recorde de 90%, para, em seguida, baixar continuamente até 76%. Quando um presidente dos EUA tem um índice de popularidade como o que Bush mostra agora, também goza do apoio dos principais meios de imprensa e do Congresso. A popularidade o ajuda a impulsionar seus programas. Os chefes de Estado acreditam que o melhor meio de fortalecer um apoio público anêmico é o de juntar as pessoas para rechaçarem uma ameaça externa. Os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 foram comparados ao ataque japonês contra Pearl Harbor, em 1941. Os dois ataques aconteceram de repente, causaram terríveis prejuízos e aumentaram enormemente o interesse do país nos assuntos externos. Nos dois casos, o público norte-americano decidiu conseguir a vitória demore o que demorar, custe o que custar. O apoio a Bush subiu às nuvens. Mas, então, alguns fatos começaram a surgir e soube-se que alguns funcionários tinham conhecimento antecipado do ataque. O público começou a suspeitar que o governo poderia ter orquestrado o assunto.
Surpreende que o público possa ser tão inteligente? Esta pergunta foi feita ao público norte-americano em uma pesquisa que meus colegas e eu realizamos em setembro de 1990, quando sabia-se que era provável uma guerra com o Iraque. “ Se começar uma guerra, você pensará que o governo dos EUA dirá ou não que o Iraque foi quem começou, quando, na verdade, foram os EUA que a iniciaram?â€, dizia a pergunta. Quarenta e sete por cento responderam que o governo norte-americano teria dito que o Iraque havia começado a guerra, enquanto 42% responderam que não fariam isso e 11% disseram que não sabiam ou negaram-se a responder.
Histórias sobre progressos contra a Al-Qaeda são divulgadas pelos funcionários de Bush quando consideram isso necessário. Nessas informações freqüentemente apresenta-se os terroristas que, mortos ou presos, não podem ser interpelados publicamente. Essas histórias atraem a atenção dos meios de comunicação, que as utilizam preferencialmente e também mostram ao mundo que a guerra de Bush é prioritária sobre todas as outras opções. Tais informações reduzem a oposição ao silêncio. Depois do 11 de setembro, Bush declarou a “Guerra ao Terrorâ€, depois alçada à categoria de “Guerra contra o Malâ€, e afirmou que os demais países deveriam definir se estavam “com os EUA†nessa guerra, na qual é difícil imaginar a vitória. Os resultados das pesquisas sugerem que o público norte-americano não desistirá de seu apoio à guerra de Bush enquanto puder satisfazer as seguintes reivindicações: 1) que, com Ossama Bin Laden aparentemente fora de jogo, as baterias se voltem contra outros líderes do inimigo; 2) que, sem a concretização de novos ataques terroristas sérios, Bush denuncie claramente novos perigos e que sejam presos terroristas planejando ou tentando cometer atentados; 3) que toda perda de apoio dos aliados seja descrita, no mínimo, de maneira clara; 4) que o objetivo altruísta e estabelecido de extirpar o mal em todo o mundo continue sendo plausível ou, então, que seja substituído por outro.
Estas pautas permitem prever se é provável ou não que Bush possa continuar com sua guerra. Se a guerra se torna muito cara ou difícil de prosseguir, ou se o povo dos Estados Unidos começa a perder a confiança, Bush deverá reduzir progressivamente sua Guerra contra o Mal. (O autor, Alan F. Kay, é matemático, cientista social e pioneiro em matéria de pesquisas de interesse público)