10 de julho de 2026
Polícia

Presos serram grade de cela na P1 durante blecaute de 20 minutos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Presos da Penitenciária 1 de Bauru serraram a grade da cela 30 do raio 1 na madrugada de domingo. Eles agiram durante o blecaute que durou 20 minutos. A fuga só não se efetivou graças a ação dos agentes penitenciários.

A queda de energia elétrica aconteceu por volta das 2h, segundo o diretor do presídio, Wilson Elorza Júnior. “Nesse período, o gerador iluminou a parte externa e permitiu que os agentes e os policiais militares percebessem a movimentação na cela.”

Após o período de escuridão no interior da penitenciária, os agentes foram vistoriar o local com lanternas e perceberam que na grade da janela da cela faltava um palito. “A cela 30 tinha quatro presos. Se conseguissem serrar mais teriam acesso livre ao pátio, antes dos alambrados.”

O diretor acredita que dificilmente os presos conseguiriam fugir. “Eles tinham a intenção, mas tanto os agentes como a PM têm um esquema de ação para ser adotado quando falta energia elétrica.”

O plano de ação rápida, segundo Elorza Júnior, inclui a colocação de viaturas voltadas para as celas. “Elas ficam com os fárois acesos iluminando a parte interna. Temos um gerador que demora, em média, cinco minutos para entrar em atividade e, mesmo assim, ilumina a parte externa.”

Após a descoberta da retirada do palito, os quatro presos foram removidos para celas disciplinares. “Eles foram recolhidos nas celas disciplinares por 30 dias. Vão responder uma sindicância e deverão ser removidos para um presídio de segurança máxima.”

Nos próximos 30 dias, os presos que tentaram a fuga permanecem fechados nas celas. “Eles perdem o direito ao banho de sol.” Na cela 30, segundo o diretor, foram apreendidas duas serras e uma tereza (corda feita com lençóis).

Blecautes constantes

O diretor da P1, Wilson Elorza Júnior, está indignado com as respostas que tem recebido da Companhia Paulista de Força e Luz. Segundo ele, a falta de energia elétrica tem sido uma constante. “Na madrugada de sábado para domingo e de domingo para segunda-feira, a situação se repetiu.”

Ele alerta para o perigo das fugas em massa, caso o problema não seja resolvido. “A CPFL não sabe explicar o que está acontecendo. Os blecautes têm sido constantes e estamos preocupados porque os presos podem agir devagar, serrarando aos poucos, nos momentos de falta de energia.”

Ele acha que não há motivo que justifique a falta de energia nos presídios. “O problema também atinge a P2. Nas duas madrugadas não ocorreram chuvas, relâmpagos ou trovões que pudessem interferir no fornecimento de energia elétrica.”

Elorza Júnior diz que enviou um requerimento à companhia para saber os verdadeiros motivos dos blecautes. “Diante da falta de resposta convincente, estou encaminhando um requerimento, pois no atendimento ao consumidor as atendentes não conseguem explicar, alegam problemas técnicos.”

Manobra urgente

A CPFL confirmou ontem que na madrugada de sábado para domingo o blecaute durou cerca de 20 minutos. “O fornecimento de energia às penitenciárias foi normalizado no prazo de 20 minutos.”

A falta de energia elétrica, segundo a empresa, foi ocasionada por uma manobra para reparos urgentes na rede elétrica das imediações. De acordo com a nota de imprensa as penitenciárias 1 e 2 passaram, desde ontem, a ser abastecidas por um outro alimentador da empresa.

O equipamento anterior, segundo a CPFL, apresentava problemas que vinham acarretando breves interrupções de energia, com duração inferior a cinco minutos.