11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Moradores se organizam contra o fechamento do Sé no Higienópolis

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Inconformados com o anúncio do fechamento da unidade do Sé Supermercado no bairro em que residem, moradores do Higienópolis se organizaram para “sensibilizar” a direção do Pão de Açúcar - rede que comprou o Sé - a manter a loja em funcionamento. Para isso, reuniram nomes de mais de 1.000 pessoas em um abaixo-assinado, que será entregue à direção da rede recém-chegada na cidade e a outros supermercados locais.

Conforme o JC já havia divulgado durante a semana passada, a rede Pão de Açúcar pretende fechar três unidades em Bauru até o dia 17 de agosto: Higienópolis, Geisel e Santa Luzia.

“Vai fazer falta. Hoje a gente anda dois, três quarteirões para fazer compra. Quando fechar, a gente vai ter de andar até a avenida Nações Unidas, que é onde fica o supermercado mais próximo”, declara o motorista Celso Carlos Cerce, 44 anos, um dos “líderes” do movimento. Segundo ele, o supermercado está instalado no local há 25 anos.

Para a dona de casa Mariza Aparecida Resta, 54 anos, que passou o fim de semana recolhendo assinaturas em frente ao Sé, os maiores prejudicados serão os idosos, freqüentadores do supermercado “na porta de casa”.

“Queremos sensibilizar o novo dono da rede que a gente precisa do supermercado. O pessoal da Vila Cardia não tem (supermercado), do Panorama não tem, e não vamos ter aqui no Higienópolis também?”, questiona a dona de casa.

Ainda segundo Mariza, ela foi procurada anteontem por representantes de dois supermercados da cidade, interessados em mais informações sobre a questão. Para os moradores, isso seria um indicativo de que há empresários da área interessados em investir no bairro quando o Sé for, de fato, fechado.

“Venha quem vier, nós queremos outro mercado, mas com preço compatível”, declara a aposentada Joana Astolfo, 77 anos, que aponta um outro problema: para chegar ao estabelecimento mais próximo, os idosos terão de atravessar um ponto perigoso da avenida Nações Unidas.

O fechamento do Sé também preocupa Maria Helena Lanza Lagrota, 66 anos, e Kátia Mitiko Leão de Oliveira, 35 anos. Ambas são portadoras de deficiência motora e dependem do supermercado “vizinho”. “Como eu vou fazer compra? Sou deficiente e não posso ficar andando muito”, afirma Maria Helena, que mora há cerca de 40 anos no bairro.

Outras unidades

O presidente da associação de moradores do Núcleo Habitacional Presidente Geisel, Ismael Martins Borges, revela que a população do bairro está descontente com o fechamento do Sé que atende a região. “Aqui no Geisel nós já somos carentes de tanta coisa, vamos ficar sem supermercado também?”, interroga.

Segundo Borges, um grupo de moradores do bairro já está organizando um abaixo-assinado para tentar “conscientizar” a direção do Pão de Açúcar da importância do mercado para a população do Geisel, pois é o único estabelecimento ddesse porte no bairro.

De acordo com o executivo designado pelo Pão de Açúcar para atender a região de Bauru, Antônio Florêncio, apenas a assessoria de imprensa do grupo estaria autorizada a falar sobre o assunto.

De acordo com o assessor Paulo Pompilho, da rede Pão de Açúcar, as três lojas deverão mesmo ser fechadas, mesmo que haja abaixo-assinados manifestando o contrário.

Segundo ele, o consumidor do Higienópolis, por exemplo, poderá fazer suas compras em outras unidades “próximas”, como as da avenida Cruzeiro do Sul e Altos da Cidade, respectivamente a 1,5 quilômetro e 2 quilômetros de distância da loja do Higienópolis.

“A gente está aumentando a gama de serviços e produtos na cidade. O que não dá é para ter lojas operacionalmente ineficientes”, afirma Pompilho, ressaltando que o cliente que comprar acima de R$ 30,00 poderá ter seus produtos entregues em casa, sem cobrança.