09 de julho de 2026
Polícia

Dise apreende mais de 1 kg de crack

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru efetuou ontem a maior apreensão de crack deste ano. A droga, que totalizou 1,3 quilos, foi apreendida com a mulher de um preso da Penitenciária 2, no Jardim Carolina. Avaliada em R$ 40 mil, a quantidade de crack daria origem a quatro mil pedras de tamanho menor.

A equipe de investigação da Dise estava trabalhando no caso há cerca de 15 dias. As informações incompletas sobre o veículo usado por P.F.L. de 24 anos (a identidade completa não foi fornecida pela polícia), um Ômega de cor escura, placas 1613 de Bauru, sem as letras de identificação, atrapalharam as investigações.

O cruzamento de informações levou os investigadores ao Jardim Carolina, onde a mulher estaria atuando como fornecedora de crack, segundo o delegado Adib Jorge Filho. “Ela estaria fornecendo a droga para os traficantes de menor potencial. Aqueles que distribuiam a droga para os usuários.”

Por três vezes, a acusada teria conseguido fugir usando uma moto. A permanência constante da equipe de investigação no bairro possibilitou a identificação completa do Ômega, placas AEX-1613. “Através da placa do veículo, conseguimos chegar ao endereço da acusada e identificá-la. Foi solicitado um mandado de busca e ontem, por volta das 11h, ela foi presa quando saia com o carro”, contou o delegado.

No porta luvas do veículo os investigadores encontraram três porções de crack, tipo bastão, prontas para serem comercializadas. “Na gaveta de uma cômoda haviam cinco pequenos pacotes igualmente prontos para venda. Mas foi atrás da cortina da sala que foi encontrada a pedra maior, com cerca de um quilo.”

De acordo com o delegado, era da pedra maior que a acusada extraía as menores e entregava-as para os traficantes menores. “O total apreendido geraria aproximadamente 4 mil pedras.”

No interior da residência os policiais apreenderam ainda uma filmadora, dois aparelhos de CD, três módulos, dois aparelhos celulares, uma lixadeira e R$ 1.074,00 em dinheiro.

Perda em favor da União

Novas investigações serão desenvolvidas pela equipe da Dise para definir a procedência dos objetos apreendidos. Caso sejam produtos do tráfico, serão destinados a Secretaria Nacional Antidrogas, avisa Adib Jorge Filho.

O delegado apreendeu, ainda, documentos bancários e uma escritura recente da compra de um imóvel pela acusada. A Lei 6368/76 autoriza o seqüestro dos bens, se comprovado que foram adquiridos com rendimento do tráfico de entorpecente.

Os bens confiscados são leiloados pela Secretaria Antidrogas, que reverte as verbas para as casas destinadas a recuperação de drogados.

Autuação

P.F.L. foi autuada em flagrante pelo artigo 12 da Lei 6368/76. Se condenada, poderá pegar de três a 15 anos de reclusão. Ontem, ela foi encaminhada para o presídio de Cabrália Paulista, onde aguardará julgamento.

A prisão dela comprova reportagem feita pelo Jornal da Cidade há alguns anos de que as mulheres assumem papéis de liderança na marginalidade, especialmente quando o marido ou companheiro está preso.

O delegado frisa que o marido da acusada está preso e condenado por roubo de carro, na Penitenciária 2 de Bauru. O casal tem uma filha de 7 anos que após a prisão da mãe, foi entregue para outro familiar.

Segundo a polícia, a mulher vivia mudando de endereço e trafegava sempre com a criança para não levantar suspeitas.