A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) interditou, na tarde de ontem, o trecho do córrego Vargem Limpa que fica entre a rodovia Bauru-Jaú (SP 225) e a avenida Rodrigues Alves. O motivo da medida é a concentração de chumbo detectada no local através de análise de amostras feita pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
A interdição significa que a utilização da água do córrego Vargem Limpa e de todas as nascentes compreendidas no trecho em questão foi considerada imprópria, por tempo indeterminado, para fins recreativos, industriais, comerciais, agrícolas e domésticos.
Ou seja, a população não deve nadar, pescar, transportar ou beber a água do córrego. “Determinamos a proibição do uso da água para qualquer tipo de atividadeâ€, enfatiza Luiz Pires, titular da Semma.
A concentração de chumbo na área interditada, nas proximidades da Fábrica de Baterias Ajax, preocupa os órgãos ambientais já que muitas crianças de bairros próximos, como Jardim Tangarás e Núcleo José Regino, costumam nadar naquele trecho do córrego, também conhecido como Ribeirão Vargem Limpa.
Além disso, algumas empresas da região transportam a água em caminhões-pipa para lavar pátios. “O índice de chumbo em uma nascente estava acima do permitido. A concentração em sedimento nas proximidades da ponte Bauru-Jaú ficou acima dos níveis de intervençãoâ€, destaca o secretário de Meio Ambiente.
Amparada pelo Código Municipal Ambiental, a interdição foi adotada como uma forma de prevenção e não está relacionada às medidas que a Direção Regional de Saúde (DIR-10) deve divulgar ainda esta semana como forma de evitar que a população continue sendo exposta a riscos.
“Estamos nos adiantando a qualquer medida a ser tomada até que sejam definidas as medidas para eliminar a contaminação. Nos adiantamos porque é um problema muito sérioâ€, enfatiza Pires.
A área interditada não estava sinalizada até ontem. A Semma está providenciando placas de alerta à população - que em breve serão instaladas no local. Haverá fiscalização mas, na opinião de Pires, o problema demanda conscientização.
“Vamos passar por lá e tentar orientar a população. Mas isso é mais uma questão de conscientizaçãoâ€, afirma.
O titular da Semma destaca que em uma das minas do córrego a concentração de chumbo encontrada foi de seis vezes o valor aceitável pelos órgãos de Saúde. “Não nos interessa quem contaminou. O que nos interessa é não permitir que essa contaminação prejudique a populaçãoâ€, acrescenta.
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Vidágua: â€œÉ o mínimo que deveria ser feitoâ€
O Instituto Ambiental Vidágua apóia a medida adotada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e aguarda a implementação das recomendações feitas pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) quando divulgou o último laudo.
“Está certo. É o mínimo que deve ser feito para, principalmente, impedir que crianças brinquem em água contaminadaâ€, avalia Rodrigo Agostinho, do Instituto Vidágua.
O documento da Cetesb aponta, além de altos índices de concentração de chumbo em solo superficial (zero a dois centímetros), grande quantidade de chumbo na água. Foram coletadas amostras de poços rasos.
“Estamos aguardando as diretrizes da DIR-10 e temos que analisar com cuidado como serão implementadas as recomendações feitas pela Cetesbâ€, observa.
Agostinho questiona a posição da Fábrica de Baterias Ajax de atribuir a contaminação por chumbo a uma fábrica clandestina, conforme publicado pelo JC anteriormente.
“Não existe nenhuma outra fábrica naquela área. Nenhuma instituição tem conhecimento dissoâ€, afirma. “A empresa tem todo o direito de se defender. O que achamos estranho é que na contestação da Ajax ao Poder Judiciário não consta a existência dessa fábrica clandestinaâ€, pontua o ambientalista.
Durante a semana, a Ajax divulgou que se responsabilizará pelas medidas a serem tomadas na região contaminada.