Mesmo que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre automóveis novos ainda não tenha animado o mercado, o segmento de veículos usados já começou a sentir os “efeitos colaterais†das alíquotas mais baixas, em vigor desde o último dia 1. Em Bauru, os estacionamentos de carros usados estão cheios e o preço dos veículos está em queda.
Em contrapartida, a intenção do governo ao reduzir o IPI dos automóveis - incentivar o consumo - esbarra em outras questões. Além da crise econômica, que está minando a renda dos compradores, a taxa de juros dos financiamentos para usados continua muito alta, segundo os próprios vendedores.
Nos estacionamentos consultados pelo JC, proprietários e gerentes concordam que o cenário está desfavorável para o mercado de carro usado, apesar de afirmações isoladas de que as vendas não teriam caído muito.
“As vendas caíram por causa do próprio momento econômico, das altas taxas de juros. Isso é que está atrapalhandoâ€, diz Alessandro Martinelli, proprietário de uma agência de veículos usados.
Martinelli revela que os preços reduziram em apenas 5% até agora, mas há previsão de ocorrer queda maior de preços no futuro - o que é bom para o consumidor. “Como os juros ficam altos e os carros não vendem, a pessoa que quer vender desce o preço para ter saída rápida. Quem quiser vender ainda mais rápido tem que baixar mais o preçoâ€, declara.
Cenário pior
Para o gerente de outro estacionamento de usados e semi-novos, Renato Celso Swenson, a redução das alíquotas contribuiu rapidamente para a piora de um mercado que já estava em crise. Nos primeiros meses do ano, conta ele, o estabelecimento em que trabalha vendia de um a dois carros por dia. Para este mês, no entanto, ele estima vender, no máximo, 15 veículos.
“A essa altura, para quem tem muito estoque vai ser difícil vender. A previsão é de 40% a 50% de quedaâ€, afirma Swenson. De acordo com ele, o problema principal está nos carros fabricados nos útlimos dois anos. “Os carros ano 2000 em diante terão uma briga maior, pois vão ter que diminuir os preços, já que o zero também vai estar mais baixo. Os valores ficarão muito próximosâ€, revela.
Swenson cita o exemplo de carros populares ano 2001 ou 2002, que hoje saem por volta de R$ 12 mil a R$ 13 mil. Um veículo zero quilômetro equivalente nas concessionárias está na faixa de R$ 14 mil. “A única saída é baixar o preço do carro usado para poder vender. Financeiras, lojistas, todos vão ter de perder para reanimar o mercadoâ€, declara o gerente.
Na opinião de outro comerciante de carros usados, José Eduardo Garcia, a taxa de juros para financiamentos é o “grande vilão†do segmento. “98% das vendas são feitas através de financiamento. Se não houver boas taxas, o mercado páraâ€, ressalta.
Segundo Garcia, que está com seu estoque cheio, vai ser difícil repetir a marca de vendas do mês anterior: 25 carros. Ele revela que apenas seis carros foram comercializados neste mês, até ontem. “Vai ser impossível vender a mesma quantia do mês passado até o final de agostoâ€, afirma, prevendo redução de 30% no volume de comercialização.
Ainda segundo Garcia, esse resultado só poderá ser obtido com diminuição de 20% nos preços. “Os carros semi-novos estão parados porque o preço está muito encostado no do zero quilômetroâ€, completa.
Margem maior
O proprietário de um estacionamento localizado na avenida Nações Unidas, que preferiu não se identificar, afirma que algumas concessionárias não estariam repassando a redução das alíquotas para o preço final dos veículos, com o objetivo de aumentar suas margens de lucro.
Assim, diz o comerciante, continuaria sendo vantajoso comprar carro usado, mesmo com a divulgação maciça sobre a queda dos preços em conseqüência da diminuição do IPI. “Um bom negócio é comprar usado. No zero, o valor cai em 30% só ao sair da lojaâ€, declara.
Na opinião dele, o mercado está ruim para ambos os segmentos: novos e usados. “Como está ruim para vender o zero quilômetro, evidentemente o carro usado também acompanha. Faz parte do mesmo boloâ€, declara.