O respeitado “Guia Quatro Rodas - Praias†elegeu a Praia de Castelhanos, em Ilhabela, como a mais bela praia do Litoral Norte Paulista. Ela também faz parte do ranking das melhores e mais bonitas praias de todo o Brasil, ao lado de Fernando de Noronha, Pipa (RN), Praia do Gunga (Alagoas) e Morro de São Paulo (Bahia) na lista das campeãs da revista “Próxima Viagemâ€.
Até 2000, o problema era chegar à ela. Era preciso muito fôlego, pois era praticamente inacessível. Somente jipes com tração especial conseguiam vencer um percurso literal de pedras. Hoje, o trajeto está mais fácil, já que foi reformada a estrada que corta Ilhabela até lá. O caminho é de terra mas ganhou calçamento de pedra nos primeiros quilômetros, até quase a Cachoeira da Toca, e foi aplainado no trecho restante. Agora leva-se menos de uma hora para chegar a uma das praias mais bonitas do Brasil.
Não se esqueça do repelente, já que apesar do trabalho de erradicação dos borrachudos, Castelhanos é uma praia deserta, à beira da Mata Atlântica.
A praia também é atingida através de saveiro que pode ser alugado no centro de Ilhabela. O percurso demora seis horas (três de ida e três de volta), passeio perfeito para quem tem estômago resistente ao mar. A recompensa, entretanto, é total quando se chega lá: é uma praia sem construções, cercada de trilhas e cachoeiras.
No século XIX, com o fim do tráfico negreiro, a Praia de Castelhanos servia como local de desembarque dos navios que traziam escravos clandestinos para o Brasil. Os africanos, depois de aportar na deserta praia, empreendiam uma terrível viagem pela mata até chegar às fazendas de cana-de-açúcar para onde eram recrutados.
Naufrágios e mergulho
O maior acidente náutico da história brasileira aconteceu na costa de Ilhabela, quando o Príncipe das Astúrias, um luxuoso transatlântico de bandeira espanhola, construído pelo estaleiro inglês Russel & Co. - o mesmo do Titanic, naufragou após se chocar contra a Ponta da Pirabura.
Muitos outros naufrágios aconteceram na região e, desses, pelo menos quatro, podem ser alcançados pelos mergulhadores: Dart (1894): seus destroços estão junto dos Borrifos, a uma profundidade entre cinco e 20 metros; Velasquez (1908): está localizado a uma profundidade entre quatro e 20 metros e permite um dos melhores mergulhos da região, por conta do mar calmo; Teresina (1920): está a uma profundidade de quatro a 15 metros e seu hélice é uma atração para mergulhadores e Aymoré (1921): navio cargueiro cujos destroços estão localizados perto da ponta do Curral, a uma profundidade que varia entre três e sete metros (mergulho indicado para principiantes.
Mar de tranqüilidade
A área dos naufrágios está voltada para o mar aberto e tem como característica geográfica os altos costões rochosos, praias praticamente desertas e águas agitadas (que chegam a mais de três metros de altura). A mata neste trecho é repleta de rios e cachoeiras e o relevo acentuado (o Pico de São Sebastião tem 1.379 metros, o do Papagaio, 1.037 m e do Baerpi, 1.025 m).
Já o lado urbano da ilha é especial para os turistas que querem praias calmas, lojinhas de artesanato, bons hotéis e restaurantes especializados em frutos do mar. Esse lado é voltado para o continente (o canal de São Sebastião) e abriga praias de águas convidativas, praças repletas de flamboyants e ainda famílias de caiçaras que constroem, sem pressa, canoas de voga, pequenas embarcações de cerca de oito metros que, no passado, serviam para a travessia da ilha até Santos. Um lugar bucólico e charmoso como toda a Ilhabela, famosa por acolher pintores, paisagistas, escritores, milionários e gente comum que fugindo da agitação da capital elegeu-a como sua eterna fonte de inspiração. E de descanso.
Capital da Vela e do Windsurf
As competições náuticas em Ilhabela são famosas no mundo todo. A cidade é conhecida como “Capital da Velaâ€, pelas excelentes condições de vento e mar do canal de São Sebastião.
A prática de Windsurf também é constante, levando à inauguração de uma sede da categoria na Ponta das Canas, concentrando pilotos especialistas em várias categorias.
A Semana de Vela de Ilhabela é a competição mais disputada na ilha, reunindo anualmente, sempre no mês de julho, mais de 100 participantes.
A geografia montanhosa da região é determinante para o sucesso das provas, funcionando como um corredor que faz com que o vento seja uma constante no canal de São Sebastião.
• Serviço
Ilhabela fica a três horas de carro de São Paulo, através da Via Dutra e Rodovia dos Tamoios. Chegando em Caraguatatuba, o motorista deve seguir para São Sebastião e de lá pegar uma balsa que leva cerca de 20 minutos (se não houver fila) até a ilha.
Durante os meses de agosto e setembro, os preços caem em Ilhabela e os borrachudos somem. Eles preferem o verão, mas um amplo trabalho de desinfestação vem sendo feito pela Prefeitura da cidade.
Nesta época do ano as pousadas e hotéis têm diárias entre R$ 70 e R$ 100 para casal. Uma boa opção para quem procura um lugar charmoso é o Hotel Porto Pacuíba (12) 472-2466, www.portopacuiba .com.br, na Praia do Viana.
Outras bastante agradáveis são a Saco do Sombrio (12) 472-1951, www. sacodosombrio .com.br e Pousada dos Guanumbis (12) 472-2009, www.ilhabela/hoteldos guanumbis.com.br
Há muitas praias agradáveis, caso a do Curral, da Feiticeira e do Seco. O artesanato típico da ilha está ligado ao mar. São barquinhos de madeira, feitos pelos caiçaras.
Nos restaurantes, farte-se de peixes, como o azul-marinho do Deni’os, receita à base de peixe com banana, que custa em torno de R$ 30 e dá para dois.
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Lendas e tesouros perdidos
Ilhabela é cercada por muitas lendas, por conta de navios que naufragaram em suas águas profundas. Histórias de tesouros perdidos, tragédias reais e mortes violentas misturam realidade com fantasia.
Caso da Pedra do Sino, da Feiticeira, do Peixe Tapa e da Praia da Caveira. Conta-se, nesta última, que um navio negreiro ao passar atrás da ilha, afundou. Todos seus tripulantes e escravos morreram. Seus corpos ficaram boaindo.
Um padre que passava de barco pelo lugar os viu e enterrou-os debaixo de uma enorme figueira. Os moradores da ilha afirmam que às seis horas da tarde, ao passarem perto daquela figueira “ouvem vozes de defuntosâ€.
Na realidade, há muitas pedras no local e o vento, entrando e saindo entre as pedras, emite um som de “teclas†como a imitar vozes de “outro mundoâ€.
Ao lado das lendas, persiste em Ilhabela as manifestações folclóricas, como a Cirandinha, a Quebra-Chiquinha, o Tira-o-Chapéu e o Caiapó, danças que se misturam ao fandango numa lembrança dos antepassados da Ilha de São Sebastião.
Essas danças foram trazidas ao Brasil pelos colonizadores europeus que chegaram ao Litoral Norte do Estado de São Paulo através de pescadores de Santa Catarina. São danças de salão e, no passado, eram comuns nos terreiros das casas durante comemorações de aniversários, casamentos ou em festas religiosas do ciclo junino.
Já o Caiapó é uma manifestação folclórica em forma de dança do tema indianista onde se acham presentes, em consequência da aculturação, tradições européias, bandeirantes, indígenas e de grupos africanos.