Criada há pouco mais de sete meses com a função de ligar produtores rurais aos consumidores, a Cooperativa dos Permissionários da Ceasa (Cooperasa) está esbarrando em uma questão inesperada: há pouca produção para muita demanda. Diante disso, alguns cooperados são obrigados a viajar para outros Estados em busca de mercadorias para atender aos pedidos em Bauru.
O produtor Sérgio Freitas Alba, que coordena o setor de vendas da Cooperasa, conta que, há cerca de um mês, viajava cerca de 500 quilômetros até o Estado de Minas Gerais, quatro vezes por semana, para buscar morango.
Segundo Alba, isso poderia ser evitado se agricultores se dispusessem a plantar morango na região. “A grande dificuldade nossa é reunir produtores. Eu tenho onde colocar as mercadorias, o que está faltando é produçãoâ€, afirma.
Além do morango, Alba cita exemplos de outras mercadorias que a Cooperasa só não vende mais porque não há produção. “Vários itens que podem ser produzidos em grande quantidade na nossa região, como chuchu, berinjela e mandioca, estamos precisando buscar em outro lugarâ€, revela o produtor.
Atualmente, apenas 30% do que é comercializado pela Cooperasa é proveniente de produtores locais. De acordo com Alba, a meta é elevar esse índice a 90%. “A demanda em nossa região é muito alta. O nosso canal de vendas hoje é o Ceasa, supermercados de Bauru e região e cozinhas industriaisâ€, declara.
Facilidades
No momento, a Cooperasa conta com cerca de 30 cooperados, 13 deles instalados na Central de Abastecimento S/A (Ceasa). Para fazer parte do grupo, o produtor não precisa pagar mensalidade - a cooperativa se encarrega de vender a produção mediante uma taxa de 18% sobre o preço da venda.
“Esse valor é muito mais baixo do que se passasse por um atravessadorâ€, afirma Alba. E completa: â€œÉ muito difícil o produtor entrar no mercado sozinho, porque a produção é sempre limitada na quantidade, e o mercado precisa de constância.â€
A Cooperasa também oferece ao produtor uma espécie de “estudo†de mercado, indicando, por exemplo, qual é a mercadoria mais adequada para se plantar no momento. De acordo com Alba, o que os compradores querem - principalmente os de grande porte - são mercadorias com quantidade, qualidade e regularidade.
“Tem muita gente com terra em Bauru que não sabe o que fazer. Com a nossa experiência, podemos passar que produto está em falta, o que o mercado precisa. O que queremos é deixar o produtor no campo, para que ele melhore a qualidade, pois aqui a gente montou uma estrutura justamente para comercializarâ€, finaliza Alba.
• Serviço
Para entrar em contato com a Cooperasa, o telefone/fax é (14) 230-4373.
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Sem desperdício
Para o produtor Julian José Martinez Domingues, que faz parte da Cooperasa, a união dos agricultores permite lucros maiores - pois as taxas de venda são menores do que as praticadas pelos atravessadores -, e não há desperdício de mercadorias.
Domingues, que possui uma propriedade onde produz e comercializa, traz seu excedente quase diariamente para a Cooperasa. “Não tem desperdício nenhum do que eu produzo, pois aqui eles têm o canal de comercializaçãoâ€, diz.
Além disso, muitas vezes a produção é direcionada para os grandes compradores com os quais a Cooperasa mantém contato, o que evita a plantação de itens que, em determinados momentos, não interessam ao mercado.
Na opinião do vendedor Luiz Antônio Missão, que comercializa as mercadorias dos produtores do Cooperasa, a orientação da grupo é importante para agilizar as vendas e evitar que a mercadoria fique “encalhada†e acabe estragando.
Missão, que atua há 29 anos na Ceasa, afirma que, de fato, há muita gente querendo comprar - o caminho mais curto até os consumidores é o que faz falta para os produtores. “Pela cooperativa tem muito mais facilidade para trabalhar. É bem melhor do que trabalhar por contaâ€, declara.