10 de julho de 2026
Regional

Incêndio mata família em Paraguaçu

Por Michelle Roxo | JCNet
| Tempo de leitura: 3 min

Paraguaçu Paulista - Uma tragédia chocou a população da cidade de Paraguaçu Paulista. Cinco pessoas da mesma família morreram em um incêndio, no fim da noite de anteontem, em uma casa de madeira localizada na região central da cidade.

Segundo a Polícia Militar, o incêndio, de grandes proporções, consumiu rapidamente a residência. Apenas a criança Beatriz Carolina Menezes, de 7 meses, pôde ser salva. O casal, José Carlos Menezes, 37 anos, e Valéria Cristina Pedro, 22 anos, morreu durante o incêndio, além dos filhos Huelton Pedro Carvalho, 8 anos, Carla Cristina Menezes, 5 anos, e Camila Cristina Menezes, 4 anos. O menino era filho apenas de Valéria, fruto de seu primeiro casamento.

A criança de sete meses, que saiu ilesa do episódio, foi resgatada pela garçonete Rosa Cristina da Silva, 28 anos, que mora próximo ao local.

Segundo o tenente Paulo Sérgio Rezende, da Polícia Militar de Paraguaçu Paulista, o resgate foi possível porque a mãe conseguiu, durante o incêndio, passar a criança pelo vão da janela da sala. Ela permaneceu pedindo socorro com a filha pendurada para fora da janela. Rosa, que ouviu os gritos das vítimas, foi até o local e resgatou a criança a tempo.

A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram acionados por vizinhos. Quando o fogo foi controlado, as vítimas já haviam morrido. Elas foram encontradas carbonizadas em um dos cômodos da casa. A polícia acredita que a família estaria dormindo quando o incêndio teve início.

Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Assis e submetidos à necropsia. A criança, que teve apenas ferimentos leves, foi socorrida ao pronto-socorro da cidade.

De acordo com o tenente Rezende, o incêndio foi tão intenso que a casa vizinha à direita, que também é de madeira, teve parte da lateral atingida pelas chamas. Ele afirma que população está bastante abalada com o episódio. “Parece que não se tem registro de uma tragédia tão grande aqui na cidade”.

As causas do incêndio ainda são desconhecidas. Segundo o delegado de Paraguaçu Paulista, José Roberto de Oliveira, será instaurado inquérito para apurar as circunstâncias em que ocorreu o fato. A Polícia Técnica compareceu ao local e recolheu materiais para análise.

O delegado afirma que a criança ficou sob a responsabilidade de uma tia, que provavelmente deve entrar na Justiça para pedir sua guarda. Oliveira, que está há oito anos na cidade, também afirma não ter conhecimento de outro fato tão grave em Paraguaçu. “Foi uma tragédia sem precedentes”.

A garçonete Rosa Cristina da Silva, que salvou a criança de 7 meses, é moradora de uma casa localizada próxima ao local da tragédia, mas não conhecia a família. Ela afirma que teria chegado do serviço por volta das 23h30, quando ouviu os gritos das vítimas.

“Eu cheguei do meu serviço e no que eu entrei para dentro de casa eu escutei pessoas pedindo socorro. Aí eu fui ver o que era, o que estava acontecendo. Quando eu cheguei perto da esquina tinha uma casa pegando fogo e na hora que eu cheguei mais perto tinha um bebezinho do lado de fora do vitrô, pendurado com o bracinho. Estavam segurando ele.”

Rosa conta que viveu momentos dramáticos. “Eu vi a mulher gritando ‘salvem meu nenê, salvem meu nenê’, aí eu peguei a criança. Foi Deus que me deu força para ir lá e pegar a criança.”

Segundo Rosa, depois dela, outros vizinhos foram chegando ao local, mas já não havia como ajudar as vítimas. “Não tinha condição nem do bombeiro entrar.” Ela afirma que os vizinhos tentaram arrombar a janela e a porta, mas o fogo era intenso. Quando os bombeiros chegaram ao local e conseguiram controlar as chamas, já era tarde.

Segundo ela, todos ficaram muito abalados com a tragédia. “Eu fiquei acordada quase a noite inteira. Consegui dormir a base de calmante”. Apesar de ter resgatado a criança, ela lamenta o episódio: “Eu queria ter salvado os outros também”.