09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Diretor do Sebrae de SP quer capacitar os jovens da Febem

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

O diretor-superintendente do Sebrae em São Paulo, José Luiz Ricca, disse ontem, em Bauru, que o órgão vai trabalhar pela realização de programas junto com as universidades locais para implementar a capacitação de mão-de-obra e desenvolvimento de negócios para as micro e pequenas empresas nas diferentes regiões do Estado. Para isso, afirmou que as universidades precisam ser despertadas para a parceria.

Ricca também garantiu que há espaço para o trabalho de treinamento profissional com adolescentes nas unidades regionais da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem), como é o caso de Bauru. Leia os principais pontos da entrevista:

Jornal da Cidade - Porque o Banco do Povo está instalado em algumas cidades da região, mas não há em Bauru? José Luiz Ricca - Eu não tenho programação do Banco do Povo nesta região. Mas acho que Bauru é uma cidade que detém todas as condições para ter o Banco do Povo. O importante das políticas públicas em parceria com o município ou outros organismos é a construção coletiva da solução. Muitas vezes as questões que são programadas dependem das próprias condições locais para a parceria se estabelecer. Não sei qual é a situação hoje na cidade para o Banco de Povo, mas as dificuldades da época eram de instalação. Um comitê analisa as condições físicas para instalação e os recursos são destinados pelo Estado e pela Prefeitura. A questão é a contrapartida para instalação e infra-estrutura. A região tem espaço para trabalhar com o Banco do Povo.

JC - O senhor visitou Brotas, onde há a exploração do turismo em função da natureza. Qual é o potencial do turismo rural nesta região? Ricca - Não só nesta região, mas como em várias regiões do Estado é surpreendente o potencial de turismo rural para negócios, emprego e renda. Bauru tem grande espaço de turismo de negócios em si e na região há grande espaço para explorar as belezas naturais como em Brotas, Dois Córregos. Agora começa a despertar o interesse público para o turismo rural e de infra-estrutura de descanso para as pessoas. E isso acontece porque temos uma população jovem e uma população que envelhece com cada vez maior expectativa de vida e qualidade no Brasil. E há uma mudança no eixo do trabalho com redução da carga horária ao longo dos anos e isso gera espaço para crescer o lazer, turismo e cultura.

JC - O envelhecimento da população é um filão para o turismo? Ricca - Sem dúvida. Nós temos hoje uma população equilibrada entre jovens e adultos. Mas em 20 anos teremos uma população com números concentrados na faixa dos 22 aos 40 anos. Tem duas questões. Os mais velhos estão ganhando cada vez mais maiores expectativas de vida. E de outro lado temos a necessidade de ampliar o mercado de trabalho para jovens. E esse cenário nos dá uma projeção de desenvolvermos atividades no turismo, no lazer e nos esportes nunca vista antes.

JC - A Febem, recém instalada em Bauru, pede programas de capacitação de seus adolescentes. O Sebrae pode participar? Ricca - O Sebrae pode, já entrou e já tem alguns projetos desenvolvidos para o jovem. Agora precisamos ampliar esses projetos para as unidades da Febem que foram instaladas em todo o Interior para desenvolver no jovem uma capacitação para desenvolver suas habilidades empreendedoras. Nas Febens os melhores resultados podem estar concentrados no artesanato, que desenvolve habilidade e colabora no processo de recuperação desses jovens. A capacidade de empreender no brasileiro é enorme. Precisamos ampliar esse projeto.

JC - O Estado criou recentemente a Apta para os agronegócios. Como o Sebrae vai atuar junto nessa área? Ricca - Nós já atuamos nessa área. Na agricultura, a Apta nasce da evolução do sistema da Secretaria Estadual de Agricultura que estamos acompanhando. Todo o sistema de agroindustrial integrado é feito em convênio com a Secretaria de Agricultura. Então, temos muita proximidade nessa área. O Sebrae não tem a função de ensinar técnicas de plantio, mas tem a função de ensinar os agricultores a serem empreendedores, a agregar valor para o negócio, a mudar o conceito de administração rural. A Secretaria agrega o valor tecnológico. Em um só programa são mais de 500 galpões de agronegócios no Estado todo e o Sebrae é o parceiro para dizer às empresas que vão se instalar como se organizar e qual o modelo de gestão.

JC - Bauru tem sete universidades que ainda não são devidamente exploradas pelo Sebrae. Por quê? Ricca - Estamos aprendendo a ampliar o leque de parcerias com as universidades, sobretudo as públicas. Temos alguns trabalhos com a Unesp no Estado, sobretudo na área de apoio de conhecimento tecnológico, mas gostaríamos de dizer que esse potencial tem que ser melhor utilizado. Bauru, por exemplo, está no centro geográfico do Estado, e podemos agregar conhecimento aos projetos empreendedores com a parceria com as universidades. Mas é preciso que as universidades também estejam prontas para dar sua parcela de colaboração. As universidades não estão suficientemente sensibilizadas para esse trabalho.

JC - Por que 35% das empresas fecham no primeiro ano de atividade? Ricca - Estamos percorrendo essa realidade para saber a razão atual deste dado. A razão histórica que temos é que grande parte dessas empresas nascem com entusiasmo, mas sem preparo das pessoas que gerenciam o negócio. Falta conhecimento para fazer aquilo que se quer com competência. Essa é a primeira razão. O segundo dado é que essas empresas se lançam mais sabendo fazer do que sabendo vender seus produtos ou serviços. E é um problema sério na dinâmica da economia. O Sebrae tem um programa de combate à mortalidade de empresas com um programa que torna fácil o sistema de abertura de empresas e as torna abertas cadastradas. Isso permite acompanhar essas empresas para que elas não incorram nos erros mais comuns. Os problemas mais sérios de gestão ainda são na administração de pessoal e contábil, a contabilização incorreta de juros e capital e a mistura de dinheiro próprio com o da empresa. Estamos falando da micro empresa onde não há conhecimentos básicos. As empresas fecham em 35% no primeiro ano por isso, e quase 50% fecham depois do terceiro ano e isso é uma coisa inaceitável. Porque 99% das empresas são micro e pequenas e 70% das pessoas estão empregadas nesse setor. Portanto, é um setor que precisa ser cuidado e o Sebrae está fazendo isso.