Encontram-se facilmente na sociedade mães escandalizadas com tangas e minitangas usadas por filhas, irmãs, sobrinhas, netas ou amigas, considerando que o mundo, ainda que com as tantas liberalidades que possui, não poderia ter suficiente determinação para levar as meninas a exporem desavergonhadamente suas partes físicas mais pudentas, como o fazem de tempos a esta parte. Ocorre que o tal universo, que tem à sua disposição tantos braços e pernas para andar, mudou sem dúvida descontroladamente, haja vista admitir que as jovens não se contentem unicamente em exibirem teatralmente coxas e bumbuns como, inclusive, seus avantajados seios, mal cobertos por decotes baixos, no que são acompanhadas até por senhoras que vão a clubes e lojas quase sem roupas. E adiantaria alguma coisa positiva tentar convencer as fêmeas, de qualquer idade, a se comedirem cerimoniosamente, passando a vestir-se bonitinho e direitinho, se elas não estiverem absolutamente conscientes da pureza que se oculta em seus corações? Perguntar-se-ia mais, naturalmente, se as garotas que se vestem provocantemente o fariam com ou sem malícia, indiferentes às preocupações de seus pais? Há inúmeros motivos incentivadores do abuso, especialmente o fato de ter a humanidade penetrado expressamente em uma civilização fálica, na qual o sexo se transformou em mercadoria barata, ou seja, num manancial de motivações econômicas, em cujas águas passou a nadar, rapidamente, no estilo do nado livre, a execrável permissividade da moda, vale dizer-se, licenciosidade das vestimentas femininas, em função das quais as tangas e minis resultam em um nudismo explícito, que as jovens entendem não existente e, conseqüentemente, não se julgam as tristes e desavergonhadas que delas se falam... Desabafam: “Quem não quiser admirar nossos seios que não lhes direcione os seus olhares!†E, buscando eximir-se de alguma culpa, adiantam: “O sexo e o corpo são hoje coisas livres, rejeitando proibições malévolas que limitem suas intençõesâ€. Mas vão além, debitando o avanço irrefreável e guloso à poderosa indústria da moda feminina, que não poderia deixar de acompanhar o processo que as imiscuíu sorrateiramente nos escombros de todos os demais desmandos do mundo, tanto econômicos como dos costumes sociais, convencidas todas de que, como ressaltam os especialistas, “ao machismo do homem, que se considera uma espécie irresistível, corresponde o feminismo da mulher, que sabe que com seu corpo pode derrubar qualquer machãoâ€. É isso aí: moda é moda... É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)