10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Oficinas de costura superam crises

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Mesmo sendo igualmente afetadas pelas crises econômicas, como em qualquer negócio, oficinas de costura e profissionais especializados em reparos de roupas seguem enfrentando com sucesso as dificuldades financeiras impostas pelo cenário global. O aumento na quantidade de locais que oferecem esse tipo de serviço em Bauru é visível, tanto que a concorrência preocupa os mais antigos no ramo.

Maria Perpétua de Oliveira, carinhosamente chamada por suas clientes de Peti, faz roupas sob medida há muitos anos, mas revela que sua atividade preferida é fazer consertos. Sua clientela abrange todas as idades, mas Peti diz que tem aumentado o número de jovens que optam por arrumar roupas semi-novas.

“Eu percebo que tem aumentado bastante a procura por serviços de reparos. Eu trabalho com isso na minha casa há seis anos e presenciei o surgimento de várias oficinas de costura. As garotas têm pedido muito para descer o cós das calças, porque está na moda. Anteontem, uma cliente me trouxe dez calças de uma vez para fazer pequenos ajustes e eram todas roupas semi-novas”, diz Peti.

A semana dela é dividida entre os serviços que faz em casa e o trabalho que terceiriza para uma loja de confecções. Dos três dias da semana em que trabalha em casa, a costureira revela que faz consertos em cerca de 15 peças por dia. “O serviço nunca pára”, acrescenta.

Os preços são atrativos, principalmente quando se leva em conta que apenas com alguns ajustes uma peça semi-nova que estava no guarda-roupas pode voltar a ser usada. Fazer a barra numa calça jeans sai por R$ 3,00; barra em calças de outros tecidos, R$ 2,50; ajustes diversos, como em blusas, ternos e saias, chegam a R$ 6,00, dependendo do serviço que precisar ser feito.

Negócios

O comerciante Pedro Freitas, que administra a lavanderia criada por seu pai há 52 anos, começou a buscar novos caminhos para ampliar seus negócios há três anos. Como os funcionários da lavanderia já faziam pequenos reparos nas roupas que eram mandadas para lá, em março deste ano ele inaugurou um novo setor da empresa com a oficina de costura (somente na área de consertos) e tingimento.

“Cada vez mais as pessoas estão preferindo consertar roupas que estavam em desuso do que gastar muito dinheiro comprando peças novas. Desde que abrimos a oficina, os serviços aumentam a cada mês”, afirma Freitas.

Em março, primeiro mês de atividade da oficina de costura, foram cerca de 100 peças recebidas para consertos. Em julho, o mês encerrou com volume de 600 peças. Fazer barra e colocar zíper em calças são os pedidos mais freqüentes, segundo o empresário.

Concorrência

Preocupada com a concorrência, a costureira Francisca Matias não revela a quantidade de serviços que recebe por dia. â€œÉ claro que esse setor também enfrenta crises e tempos ruins, como qualquer comércio. Mas para quem trabalha direitinho e com qualidade, sempre tem trabalho. De uns anos para cá tem aumentado bastante a quantidade de pessoas que está preferindo reparar roupas semi-novas. Com isso, a concorrência para nós também aumentou muito. Por isso, tenho alguns segredinhos que não posso revelar”, diz a simpática costureira.

Suzana Duque Dabus, que é sócia em uma oficina de costura há três anos, diz que 70% dos serviços recebidos são para reparos. O restante são pedidos de confecção sob medida. Segundo ela, no inverno o número de pedidos aumenta.

“A maioria dos serviços é para encurtar calças para ficarem no estilo capri, tirar ombreiras de blusas com modelagem mais antiga, mexer no cós da calça para ficar com cintura baixa, além de outros serviços, como colocar elástico em lençóis antigos. Desde que nós começamos a oferecer os serviços de consertos, o volume de pedidos é constante”, revela Suzana.