08 de julho de 2026
Bairros

Núcleo deve se tornar bairro comercial

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 5 min

Vizinho ao Hospital Regional (HR), o Núcleo Geisel deverá ser o principal foco das mudanças provocadas pela abertura definitiva do estabelecimento de saúde, marcada para o próximo mês.

Sem espaço para a construção de novos prédios comerciais no entorno do HR, a tendência é que as casas do núcleo residencial cedam espaço para a instalação de clínicas, lanchonetes, bares e até mesmo funerárias. “Já ouvi dizer que uma empresa funerária está sondando a região”, comenta o presidente da Associação de Moradores do Núcleo Geisel, Ismael Martins Borges.

Projetado para abrigar somente moradores, o Geisel é formado por 2.322 casas e tem uma população estimada em 16 mil pessoas - levando em conta os bairros-satélites, como Jardim das Orquídeas e Parque Alvorada.

Com essas características, o bairro restringe a ocupação comercial, na opinião de Borges. “As ruas são estreitas e não estão preparadas para receber um fluxo grande de carros e pessoas”, diz.

Mesmo assim, a saída para o desenvolvimento da região está justamente no núcleo. A secretária municipal de Planejamento, Maria Helena Rigitano, explica que o número de terrenos particulares ao redor do HR é muito pequeno. “O hospital tem como vizinhos a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Sociedade de Reabilitação e Recuperação de Incapacitados (Sorri)”, descreve.

Em frente ao prédio do HR existe uma grande faixa de terra que não pode ser utilizada para a construção. Ela abriga o linhão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Sob as estruturas de energia e numa área de segurança de 20 metros ao redor nada pode ser construído.

Devido ao movimento estimado para o hospital, que vai receber pacientes de 38 municípios da região, além dos próprios habitantes de Bauru, a expectativa é de que haja um substancial aumento na demanda de pessoas interessadas em montar lojas, bares, clínicas, pousadas, entre outros tipos de estabelecimentos comerciais. “Acredito que os moradores do Geisel vão acabar vendendo as suas casas para que se transformem em comércio”, diz Maria Helena.

Oportunidade

Os moradores do Geisel estão empolgados com a possibilidade de crescimento do bairro. Para a cabeleireira Márcia Marina Biral, que tem um salão de beleza bem em frente ao HR, o movimento vai melhorar muito depois da inauguração do hospital. “Estamos esperando um aumento significativo no número de clientes, pois muitas pessoas que não costumam vir até o Geisel vão passar a freqüentar a área”, salienta.

Ela abriu o salão há quatro anos e atende basicamente os moradores da região. Com as mudanças proporcionadas pelo estabelecimento de saúde, Márcia espera que funcionários e familiares de pacientes também tornem-se seus clientes.

Ismael Borges, da Associação de Moradores, que é proprietário de uma padaria no bairro, acredita numa melhora do movimento a partir do momento em que pessoas de fora começarem a freqüentar o núcleo.

De acordo com ele, isso será positivo para os moradores, pois trata-se de uma oportunidade para quem está desempregado conseguir obter renda. “Acho que muita gente vai começar a investir no comércio por aqui”, salienta.

O aposentado Odair Roberto Chan Júnior é um exemplo. Ele pensa em abrir uma barraca próximo ao hospital para comercializar lanches e refrigerantes. “Vou tentar montar um pequeno comércio ali perto”, afirma.

No entanto, ele acredita que terá problemas devido à falta de estrutura do local. “Em volta do hospital tem muita poeira por causa dos terrenos sem construção. Isso vai prejudicar a comercialização de lanches, por exemplo”, salienta.

Na opinião dele, vai faltar estrutura para atender todo o público gerado pelo hospital. “O Geisel é um bairro ótimo para morar, mas não tem condições de abrigar comércio”, opina.

Já o desempregado Alexandre Gomes está bem mais animado. Ele comprou uma barraca de pastel e está aguardando o início do movimento para montá-la próximo ao HR. “Vai ter muita gente de fora passando pelo local e acho que vai dar para conseguir tirar um dinheirinho vendendo pastel”, acredita.

Gomes diz que ainda não requisitou uma vaga para a barraca junto à Seplan. “Acredito que vai ser complicado conseguir, pois muita gente está interessada em ter um espaço lá”, salienta. Mesmo assim, ele pretende se instalar no local. “Eu estou desempregado, não consigo um novo emprego e tenho família para sustentar. O jeito vai ser investir no comércio.”

Maria Helena Rigitano explica que já existem alguns pedidos para obtenção de pontos para a instalação de barracas no entorno do HR. “Em janeiro, quando abrimos a inscrição para os camelôs se cadastrarem na Seplan, algumas pessoas já requisitaram uma vaga próximo ao hospital”, explica.

De acordo com ela, os pedidos oficiais ainda são poucos: aproximadamente quatro ou cinco. A tendência, no entanto, é de que essa quantidade aumente depois que o hospital estiver funcionando. “Por enquanto, não estamos mexendo naquela área. A prioridade é a região central da cidade. Mas pretendemos regularizar a instalação de barracas próximo ao hospital também”, diz a secretária.

Ela lembra que as pessoas que montarem barracas no local sem a autorização da prefeitura correm o risco de ter de sair do ponto. “Agora temos uma lei para organizar a categoria. É preciso obedecê-la. Quem estiver instalado próximo ao hospital sem autorização será retirado do local”, frisa.

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Aumento de clientes

Instalado a cerca de 100 metros do Hospital Regional, o Restaurante Universitário já se prepara para aumentar a carteira de clientes. O proprietário do estabelecimento, Murilo Contieri Rolim, está contando com um crescimento de 30% no número de clientes. “Se chegar nesse patamar, já está muito bom”, salienta.

Como o próprio nome diz, o restaurante atende basicamente ao público universitário, já que fica próximo à Universidade Estadual Paulista (Unesp) e é ligado a um flat voltado somente a estudantes.

Rolim diz que a expectativa é de atender principalmente as pessoas que virão de outras cidades em busca de tratamento. “Os familiares dos pacientes não vão ter para onde ir enquanto aguardam o atendimento. É esse filão que queremos conquistar”, destaca.

Atualmente, o restaurante abre somente na hora do almoço. Mas, se a expectativa de aumento do movimento se confirmar, a idéia é ampliar o horário de abertura e passar a servir lanches no período noturno.

Rolim diz que a concorrência deverá ser grande com os barraqueiros que, na opinião dele, vão ser em grande número em volta do hospital. Mesmo assim, ele acredita que terá condições de atrair muitos clientes. “Os médicos poderão ser grandes consumidores do restaurante”, imagina.

O empresário diz que vai aguardar a inauguração do hospital para avaliar a necessidade de mudar o seu esquema de trabalho.