Assisti na TV Cultura a entrevista do coordenador econômico da campanha presidencial do sr. Ciro Gomes. Mencionou e defendeu as seguintes prioridades do seu candidato: unificar os impostos, reduzindo a quantidade. Isentar do Imposto de Renda os assalariados. Fazer a reforma tributária.
Afastar o Brasil do FMI (dos quatro, o sr. Ciro foi o único que não aprovou o empréstimo de US$ 30 bilhões). Vejamos o seguinte: para unificar e reduzir os impostos, a União é quem vai por a mão nos tributos dos estados e municípios para depois repartir. Quem parte e reparte, se não ficar com a melhor parte, é tolo ou sem arte. Os estados e municípios não gostarão nada dessa brincadeira. A maior fatia da arrecadação do Imposto de Renda é a descontada em folha do assalariado. E qual fatia ia substituir essa? Ele sugere que seja criado outro imposto. Ora, se vamos unificar para reduzir, vamos criar outro, talvez esse outro seja “desconto em folha dos empregadosâ€, muda apenas o nome.
Do jeito que ele falou da reforma tributária, só é possível na ditadura ou no tempo de Hitler que dizia, “quem fizer isso hoje, será fuzilado amanhã em praça públicaâ€. Tem deputado federal que cumpriu os 4 anos de mandato e não conseguiu aprovar um projeto (vai para a comissão de finança, justiça e etc.). Pega dinheiro do FMI quem quer, ninguém é obrigado e quem empresta dinheiro tem todo o direito de fazer exigências. Vamos emprestar de quem? Da Rússia, Cuba. Ainda bem que o FMI emprestou, senão estaríamos bem mal das pernas.
É impressionante a facilidade e a rapidez com que ele falou desses assuntos tão complexos e tão difíceis de serem resolvidos. Creio que surgiu um novo “Super 15†em economia e mercado. Em verdade, não é fácil em uma democracia resolver esses problemas, se fosse o próprio Ciro Gomes teria resolvido quando foi ministro da Fazenda, e não o fez. Rui Barbosa, o maior homem da época, a glória mais alta da nossa inteligência, também foi ministro da Fazenda e não conseguiu resolver. Essa entrevista foi uma espécie de “prosodia per dormitare bovinoâ€, em bom português, “conversa mole para boi dormirâ€, que o povão conhece como “papo furadoâ€. O importante é não deixar a economia perturbar o mercado. Democracia, essa é difícil de conquistar. (Blasco Peres Rego - OAB 17.461