A hanseníase é uma doença infecciosa, causada por um tipo especial de bactéria chamada Mycobacterium leprae. Ela ataca somente a pele e os nervos periféricos. Na pele, o bacilo manifesta-se com manchas e feridas. Ao atingir os nervos, ele tira a sensibilidade da pessoa ao calor e à dor em várias partes do corpo, além de prejudicar a resposta motora principalmente de pés e mãos. Se não for tratada precocemente, pode deixar graves lesões.
Os primeiros sinais da hanseníase são manchas na pele que podem aparecer em qualquer lugar do corpo. Elas podem ser planas (quando estão no mesmo nível do tecido celular) ou formar pequenas elevações (como calombos enrugados). Na maior parte das vezes, são mais claras que a pele, mas podem ser avermelhadas ou cor de cobre.
Manchas semelhantes também podem ser causadas por outras doenças, como micoses, alergias e reações medicamentosas. A lesão da hanseníase tem uma característica particular: ela é insensível, ou seja, a pessoa não percebe o toque, não sente dor, nem calor sobre ela. Além disso, são manchas que não transpiram, mesmo que outras partes do corpo estejam suando (confira teste nesta página).
De acordo com médicos do Instituto Lauro de Souza Lima - considerado referência mundial em tratamento e pesquisa da hanseníase pela Organização Mundial de Saúde (OMS) -, a progressão da doença é lenta, mas suas seqüelas podem incapacitar o indivíduo para várias atividades.
“A bactéria tira um dos principais mecanismos de defesa do ser humano, que é a sensibilidade. Quando você encosta a mão numa coisa quente, você imediatamente tira a mão. O hanseniano não percebe a temperatura e se queima. Quando entra uma pedra no sapato, você tira na hora. A pessoa com hanseníase não percebe a pedra e vai lesionando o péâ€, explica o médico infectologista, diretor do Serviço Médico do Instituto, Fernando Monti.
“Nos estágios mais avançados da patologia, conforme vai perdendo a sensibilidade das mãos e dos pés, ela passa a se machucar com freqüência. O traumatismo crônico sobre um mesmo ponto do corpo gera reabsorção óssea, resultando em deformidadesâ€, completa o anatomopatologista do Instituto, Raul Negrão Fleury.
Degeneração
A antiga lepra tornou-se assustadora, no passado, justamente pelas deformidades que causava. A falta de sensibilidade e a reabsorção óssea faziam com que as pontas dos dedos desaparecessem.
A inflamação dos nervos tirava o controle sobre pés e mãos, que “caíamâ€, quer dizer, perdiam o enrijecimento natural. Sem essa firmeza, a pessoa perdia a capacidade de andar e segurar objetos.
Outras vezes, machucados nas mãos e pés, por passarem despercebidos (sem dor), inflamavam e evoluíam para tétano ou gangrena. O resultado eram as amputações.
“A bactéria também pode acometer as mucosas (boca, nariz, olhos). Por tudo isso, as pessoas diziam que a lepra ‘comia’ o corpoâ€, comenta Fernando Monti.
O primeiro tratamento para a doença surgiu no final da década de 40. Porém, até hoje, por absoluta desinformação, a hanseníase é tratada com preconceito e discriminação. Em muitos casos, a família se afasta, a pessoa é segregada do convívio com a comunidade, acaba abandonando os estudos e perdendo o emprego - por uma doença perfeitamente curável.
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Características particulares
A mancha de hanseníase:
• Não dói
• Não coça
• Não transpira
• É insensível ao toque
• É insensível ao calor
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Transmissão ocorre pelo ar
Como toda doença infecciosa, a hanseníase é uma patologia contagiosa que pode ser adquirida por qualquer pessoa, em qualquer idade. De acordo com o médico infectologista Fernando Monti, os estudos não são conclusivos, mas indicam que a transmissão ocorre pela respiração.
Acredita-se que a pessoa portadora da bactéria elimina o bacilo quando solta o ar, fala, tosse ou espirra. Os microorganismos podem ser inalados ou aspirados por outras pessoas, contaminando-as.
“Só que a bactéria tem um período de incubação que varia de três a cinco anos. A primeira fase da doença, quando as manchas aparecem, é chamada indeterminada e, neste período, não ocorre a transmissãoâ€, alerta o médico.
Na segunda fase, as manchas da hanseníase são mais visíveis e podem apresentar irritação local. Podem surgir feridas pela degeneração nervosa. Neste período, o bacilo pode ser passado para outras pessoas, principalmente as de convívio mais próximo. Porém, logo que inicia o tratamento, a pessoa não transmite mais a doença.
Por isso, é extremamente importante fazer o teste de sensibilidade e procurar o médico tão logo as manchas apareçam. Qualquer alteração na pele deve ser logo investigada. A ciência já comprova que o diagnóstico precoce facilita o tratamento e aumenta as chances de cura da maioria das doenças.
No caso da hanseníase, iniciar o tratamento aos primeiros sinais da patologia quebra a cadeia da transmissão e evita que a doença deixe suas terríveis seqüelas.
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Teste a sensibilidade das manchas
Um teste simples pode ajudar a identificar se uma mancha na pele pode ou não ser hanseníase. Os sinais da doença são insensíveis ao toque, calor e dor. Por isso, peça para alguém colocar a ponta de uma caneta esferográfica no centro da mancha (sem afundar a pele), enquanto você mantém os olhos fechados.
Em seguida, ela deve repetir o procedimento na pele normal e, novamente, no centro da mancha. Sem abrir os olhos, você deve avisar sempre que sentir o toque da caneta e indicar o local tocado.
Se você não sentir o toque sobre a lesão, trata-se de hanseníase. Você deve procurar imediatamente um posto de saúde e iniciar o tratamento. Quanto mais rápido você começar a tomar os remédios, menos pessoas você contamina e menos seqüelas você terá.
(Fonte: Guia para eliminação da hanseníase como problema de saúde pública - Organização Mundial de Saúde)