09 de julho de 2026
Saúde

Aliança promete erradicação até 2005

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Em 1999, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reuniu autoridades de países onde a hanseníase é endêmica e criou o programa Aliança Global para Eliminação da Hanseníase. Naquela época, foi firmado um acordo que pretende detectar e curar todos os casos remanescentes da doença até o ano de 2005.

De acordo com este programa, os países da Aliança têm como dever oferecer medicamento gratuito à população e promover ações regionais de atendimento, distribuição dos remédios, treinamento de profissionais e acompanhamento dos pacientes de forma ampla e irrestrita.

O acordo foi reafirmado pelas autoridades brasileiras na semana passada, durante o 16.º Congresso Internacional de Hanseníase, organizado pelo Instituto Lauro de Souza Lima, na Bahia. O tema do encontro foi “Um mundo sem os problemas médicos e sociais relacionados à hanseníase”.

O diretor técnico do instituto Marcos Virmond conta que a principal discussão nos cinco dias do evento foi a necessidade de que a doença seja tratada como problema de saúde pública. Neste sentido, profissionais ligados ao tema defendem a descentralização do atendimento.

“Precisamos difundir o conceito de que há cura. Temos que tornar o diagnóstico e o tratamento mais próximos das pessoas, levando treinamento para todas as unidades sanitárias, em todos os mais de 5 mil municípios do Brasil”, afirma o médico.

Segundo ele, é preciso intensificar a divulgação de informações sobre a doença, falar sobre sintomas e sinais, treinar agentes comunitários e todas as pessoas ligadas à saúde para identificar as manchas e promover o diagnóstico e tratamento precoces.

Primeiros resultados

Quando fala em erradicar a doença, a OMS pretende reduzir a incidência da hanseníase para um doente em cada 10 mil habitantes. De acordo com a organização não-governamental Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), três Estados brasileiros já atingiram esta meta: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Norte. Outros três Estados prevêem atingir esse patamar ainda este ano: Paraná, São Paulo e Distrito Federal.

Ainda assim, o Morhan alerta que a meta de um doente para 10 mil habitantes deve ser considerada apenas meta primária. Segundo o movimento, o Rio Grande do Sul já está com 0,5 casos para cada 10 mil habitantes, grau de incidência que, pelos critérios da Organização Mundial de Saúde, indica que aquele Estado já eliminou a doença.

“No entanto, pesquisas da Secretaria de Saúde daquele Estado apontam a existência de 800 pessoas com hanseníase. Se elas não forem tratadas, dentro de alguns anos certamente a doença voltará a crescer”, adverte.

O médico Marcos Virmond informa que, atualmente, o Brasil registra 77,7 mil casos da doença (4,68 doentes para cada 10 mil habitantes). No estado de São Paulo são menos de 6 mil doentes, numa prevalência de 1,61 para cada 10 mil habitantes.

Participação

Virmond afirma que cerca de 1,4 mil profissionais participaram do congresso, que reuniu representantes de diversos países, entre eles: Inglaterra, Índia, Estados Unidos, Holanda, Canadá, Uganda, Equador, Paraguai, Cuba, Argentina, China, Itália, Austrália, Colômbia, Sri Lanka, Nigéria, Venezuela, França, Suíça, Japão e Brasil.

Além das discussões sobre a erradicação da doença, profissionais apresentaram resultados de estudos recentes e firmaram novos convênios para pesquisas científicas. “Outro objetivo que temos para curto prazo é reduzir o tratamento de 12 para seis meses. Isso deverá ser possível muito em breve”, conclui.

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Parceria e serviço

A Aliança Global para a Eliminação da Hanseníase é apoiada por países e empresários de todo o mundo. Uma das empresas é a Fundação Novartis, que se comprometeu a fornecer os medicamentos que curam a doença gratuitamente para todos os portadores da patologia no mundo.

No Brasil, além de doar os remédios, a Novartis colocou em atividade o serviço de atendimento aos portadores de hanseníase ou ao público em geral que queira mais informações sobre a doença e seu tratamento.

A ligação para o Telehansen é gratuita e pode ser feita de qualquer lugar do País, de segunda à sexta-feira, das 8h às 22h, e aos sábados até as 17h. O número é 0800-26-2001.

Segundo a assessoria de imprensa, a mobilização nacional para informação sobre a patologia aumentou a procura pelo Telehansen de 280 ligações por mês para 300 telefonemas por dia.

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Números da doença são alarmantes

Os dados estatísticos mais atuais sobre a prevalência da hanseníase são considerados alarmantes pelos profissionais ligados ao assunto. De acordo com o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), estima-se entre 2,5 milhões e 2,8 milhões o número de pessoas que sofrem com a doença no mundo hoje.

A hanseníase foi erradicada em vários países, mas continua sendo endêmica em 12 deles. O Brasil é o segundo neste ranking e só perde em incidência para a Índia. Atualmente, o número de brasileiros atingidos pela hanseníase é três vezes maior que o de portadores do vírus HIV, causador da aids.

A assessoria de imprensa do Morhan informa que são detectados cerca de 43 mil casos novos da patologia por ano no mundo, dos quais mais de 2 mil já com graves incapacidades e 4 mil em menores de 14 anos. No Brasil, a cada 12 minutos é registrado um novo caso de hanseníase.