Apesar de termos a 7.ª economia do planeta, há que se perguntar o porquê de estarmos sempre com os piores índices de desenvolvimento humano (IDH). Somos o 74.º colocado, atrás de países como Fiji, Suriname e outras republiquetas falidas de 5.º mundo. Recentemente, a revista ISTO É (n.º 1713, 31/07/02, pág. 38) divulgou o ranking mundial de concentração de renda, elaborado pela ONU. Pasmem, somos o 4.º colocado, de 174 países estudados. Piores que o Brasil, só Serra Leoa (1.º), República Centro-Africana (2.º) e Suazilândia (3.º). Como aceitar tranquilamente essas colocações deprimentes e vergonhosas a nível global? Onde estão nossos dirigentes políticos para comentar essa indecência? Agora, em época de eleição, todos os candidatos têm a solução do problema e elegem o voto como a solução para a democracia, mas se vê que o voto não é a solução para o Brasil. Eleição após eleição, a retórica é sempre a mesma e a situação prática nunca muda. A política extrativista dos governantes do Brasil colônia é uma herança imaculada, arraigada no caráter dos governantes atuais. A preocupação e empenho não é nem mais de resolver seus problemas pessoais, mas explorar os recursos financeiros e materiais da coisa pública até quando e como for possível. Sangram verbas do FAT, da merenda, do SUS, da Bolsa-Escola, criam programas que nunca chegam aos destinatários, superfaturam até o pensamento, enfim, vemos aquele panorama que é nosso dia-a-dia, mas não o cotidiano do homem público.
A FGV divulgou um estudo que confirma que a corrupção gera um prejuízo equivalente a 47% do PIB, mas como fazer o povo entender que isso não se resolve no voto? Na revista ISTO É, n.º 1711, há um relatório sobre o rombo do PROER, aquele maldito programa camuflado que atenderia ao sistema bancário mas que, na verdade, socorreu apenas meia-dúzia de banqueiros. A dívida pública interna foi violentada em mais R$ 41 bilhões, que equivalem aos empréstimos feitos aos bancos falidos (por culpa exclusiva da má administração e da roubalheira). Desses 41 bi, nenhum centavo voltou ao erário ainda. Logo, é fácil entender como a 7.ª economia do planeta amarga a 4.ª pior colocação na distribuição de riquezas.
Se começarmos a analisar desde a nossa mísera Câmara Municipal até o mais alto escalão legislativo e executivo, perceberemos que a maioria dos agentes públicos é desprovida de qualquer senso ético, moral ou administrativo. São extrativistas natos. Não precisamos de eleições para termos um Brasil mais decente. Precisamos é de ação, de revolução, de um movimento que venha diretamente do povo, que não seja o voto. Está mais que evidente que não existem mecanismos legais para destituir o político corrupto ou fazer a devolução do dinheiro roubado. Os meios que atualmente existem estão voltados, oportuna e exclusivamente, para manter o sistema como está, acobertar o político na função e dificultar a ação fiscalizadora. Vivemos uma situação tal qual a Europa viveu no século XVIII, mergulhada que estava no despotismo e na tirania dos governantes. A única diferença é que, lá, o povo preferiu morrer lutando a esperar dias melhores. Democracia, a verdadeira democracia, é feita quando as necessidades e os interesses reais do povo são satisfeitas por um governo voltado para o povo. Isso existe no Brasil? (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)