08 de julho de 2026
Polícia

Administrador pode estar morto

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

O suposto seqüestro do administrador de empresa Nelson Olyntho Machado, 52 anos, está sendo investigado pela Delegacia de Investigações Gerais/ Grupo Armado de Repressão a Roubo e Assalto (DIG/Garra). Ele está desaparecido desde o dia 8 de agosto e a polícia acredita que ele pode estar morto.

O crime teria sido motivado porque Machado providenciou a saída de sua irmã, Ana Rita Machado, da cidade de Bauru. Ela é casada com Reinaldo Pereira Brito, conhecido como Nardo. O casal estaria passando por um momento turbulento do relacionamento há algum tempo porque ela o acusava de agressões e espancamentos, que teriam causado a Ana duas fraturas de costela e uma de tornozelo.

Após o “sumiço” da mulher, Brito é acusado de fazer ameaças a Machado. Ele queria saber sobre o paradeiro de Ana.

Na tarde do dia 7 de agosto, na esquina do escritório em que Machado trabalha, na avenida Getúlio Vargas, três pessoas foram vistas observando o local. Posteriormente, a polícia descobriu que uma delas era Brito, acompanhado de Fabiano Aparecido Cardoso, vulgo Lampião, e Marcelo Gabriel Ferreira, conhecido como Negão - todos moradores de Agudos.

Aproximadamente às 16h do dia seguinte, Machado foi visto entrando em sua Ipanema de placas CAU 4474, de Bauru. Ele estaria acompanhado por Brito e Cardoso.

No dia 9 de agosto, o boletim de ocorrência sobre o desaparecimento de Machado foi registrado e as investigações tiveram início. A DIG chegou ao nome dos três suspeitos, mas apenas Brito e Cardoso foram detidos, a partir de um mandado de prisão temporária.

De acordo com o delegado J.J. Cardia, titular da DIG/Garra, ambos negaram a participação no crime e afirmaram que desconheciam informações sobre Machado.

Ainda no dia 9, a Ipanema de Machado foi encontrada abandonada no município de Cabrália Paulista. A Polícia Técnica colheu as impressões digitais no carro, cujo laudo está sendo aguardado.

A vítima não foi localizada até o momento, assim como o terceiro acusado de envolvimento no crime, Ferreira. A equipe de homicídios da DIG e outras duas na sub-região de Bauru estão mobilizadas no sentido de encontrar o corpo de vítima.

“A probabilidade de que ele esteja vivo é de 1%. Há indícios de que eles mataram e enterraram a vítima”, afirma Cardia.

Ele acredita que Machado pode ter sido morto por ter se recusado a dizer onde estava a irmã. “Provavelmente eles queriam localizar Ana para matá-la”, diz Cardia.

O titular da DIG/Garra afirma, ainda, que a prisão do terceiro acusado de envolvimento deverá esclarecer o crime.

Brito tinha passagens na polícia por lesões corporais; Cardoso por tentativa de homicídio e Ferreira havia sido indiciado por receptação de moto furtada. “Queremos a prisão preventiva dos três”, salienta Cardia.

O delegado afirma que entre as provas que incriminam Brito estão gravações telefônicas em que ele dizia a Machado: “Não tenta se esconder, não. Eu estou indo.”

A pena que os acusados podem pegar depende da tipificação do crime. O delegado explica que como não houve exigência de resgate para libertação da vítima, talvez o crime não seja enquadrado como seqüestro. Caso Machado esteja vivo, trata-se de cárcere privado. Se ele estiver morto, será homicídio qualificado com ocultação de cadáver. “Eles não queriam dinheiro para libertar Machado. Eles queriam saber onde estava a Ana”, acrescenta Cardia.