Pelo menos desta vez o ex-presidente do Noroeste, José Sidnei Florenzano cumpriu a palavra. Ele prometeu que renunciaria ao cargo caso não conseguisse acertar pelo menos parte dos cinco meses de salários atrasados de funcionários e jogadores do clube até a última sexta-feira. Ontem pela manhã, Florenzano entregou a carta de renúncia na secretaria do clube.
Depois disso, não foi mais encontrado. Quem deveria assumir o cargo seria o vice, Mário Soares Figueiredo, que também não teria aparecido no clube, segundo informações de funcionários. O próximo na hierarquia é o presidente do Conselho Deliberativo, Emílio Alcântara Filho.
Assim, ontem, o Noroeste viveu mais um dia de “nau sem rumoâ€, sem diretoria e sem pessoas que pudessem responder pela situação. Ninguém foi encontrado para falar sobre o futuro do clube.
Florenzano completaria ontem um mês no cargo. A atual diretoria foi indicada no dia 18 de julho, numa “eleição†contestada, acontecida fora da sede do clube. O “pleito†foi oficializado às escondidas e não houve sequer cerimônia de posse. No dia seguinte à escolha dos novos diretores, que substituíam uma diretoria demissionária, ninguém apareceu no Alfredo de Castilho, num prenúncio do que vinha por aí.
Ao assumir a presidência, Florenzano declarou que uma empresa de Campinas assumiria o comando do futebo no clube e saldaria as dívidas com os jogadores. Um mês depois ainda não se sabe que empresa seria essa e o assunto caiu em total esquecimento.
Futuro incerto
Endividado (comenta-se que no total o clube deve mais de R$ 300 mil), o Noroeste passa por um dos piores momentos de sua história. Em campo, não consegue sair da Série A-3, a chamada Terceirona. Fora dele, não consegue pagar salários sequer da cozinheira e do porteiro. Dinheiro no Alfredo de Castilho é coisa realmente muito rara.
Ninguém sabe o que pode acontecer agora. O empresário Nelson Comegnio já declarou publicamente disposição em assumir o clube, caso seja realizada uma nova eleição. O grupo que atualmente está no comando não conta com a simpatia também de empresários que estariam dispostos a tentar salvar o Norusca.
No entanto, os diretores reclamam que não aparece ninguém para esclarecer esta situação e pedir que renunciem. Assim mesmo, a diretoria anterior é demissionária e a atual deve seguir caminho idêntico, com Florenzano puxando a fila.
O fato é que alguém foi muito incompetente nesta história. Há falta de recursos sim, mas também deve-se reconhecer que os poucos recursos que haviam foram muito mal usados. A folha de pagamento elevada para disputar um campeonato sabidamente deficitário, como o da Série A-3, é apenas um exemplo.
Para cometer os erros havia diretoria, porém, para responder por eles e repará-los não aparece ninguém. Os jogadores, funcionários, torcedores e, por que não, a cidade de Bauru, merecem satisfação. Aliás merecem bem mais do que lhes é oferecido já há algum tempo pelos “pseudo-dirigentes†do clube.