08 de julho de 2026
Articulistas

Ruídos indefensáveis...


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Já não tem a nossa querida Bauru muitos defensores dos ruídos das suas vias públicas, notadamente as centrais e mais movimentadas. Aqueles que, apesar dos pesares, consideravam a urbe uma localidade algo silenciosa, amena, como diz aquela conhecida música do cancioneiro patrício, comparativamente com as congêneres de proporções semelhantes às suas, perderam totalmente, de tempos a esta parte, a elogiável inspiração. Já não cantam melodias bonitas a tal respeito. Simplesmente deixaram de bater nos peitos e de alardear, alto e bom som, que vivem em uma cidade tranqüila como as zonas rurais, nas quais, salvo exceções, os moradores não ouvem, durante a noite e menos dia afora, nem os zumbidos de pernilongos (será que eles os têm) ou de outros insetos que certamente os possuem. E não podem os bauruenses continuar armando-se de opiniões favoráveis nesse particular porque possuem uma, que entendem exata: perderam mesmo as nossas passarelas urbanas o silêncio dos sacrários de igreja, pois foram elas tomadas intensivamente pela poluição sonora causada por roncos de motores de veículos, pelos buzinaços dos tais, pela estridência dos sons das “peruas” da propaganda comercial e outros tantos barulhos infernalizantes, que, segundo a opinião de observadores incontestáveis, caracterizam-se como responsáveis diretos pela maioria dos casos de surdez e vários tipos de neuroses e irritabilidades humanas. Médicos afirmam ser difícil evitar as enfermidades dessa natureza, porque na hora em que as pessoas procuram tratamento a audição já se apresenta bastante afetada e as doenças em estado adiantado. Diga-se que quando as ondas sonoras começam a agredir os tímpanos as perturbações de ordem psíquica passam a surgir, sem perda de tempo... Poderia a cidade providenciar alguma coisa para livrar-se do problema e voltar a ser o que era? Tão difícil quanto a medicina curar as turbulências de seus clientes, isto por dois motivos: não podem as fábricas liberar automóveis, ônibus, caminhões, “peruas” e motocicletas inteiramente destituídos de buzinas e escapamentos, assim como não consegue a cidade viver sem esses e outros veículos motorizados, até porque não tem condições de proibir sua circulação, livre e desimpedida, como a lei faculta. Então, têm mesmo as populações que continuar, indefinidamente, convivendo de forma pacífica com a poluição sonora de seus “habitats” e tirando o chapéu, gentilmente, para a memória dos inventores dos carangos da vida. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)