09 de julho de 2026
Bairros

Sta. Edwirges cobra creche desde 98

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 4 min

Mães do bairro Santa Edwirges cobram a construção de uma creche no bairro desde novembro 98, quando a obra foi prometida na 2ª Conferência Municipal de Assistência Social. A obra chegou a ser iniciada em setembro de 2000, mas está parada desde março de 2001. O desespero é uma constante entre as famílias do local. Uma mulher mandou um dos filhos para a irmã criar em São Paulo para conseguir procurar emprego.

Luciene dos Santos é mãe de um garoto de 5 anos e uma menina de 3. Por não ter onde deixar os filhos e precisar fazer faxinas para ajudar no orçamento, conseguiu colocar Diego na escola Municipal de Educação Infantil (Emei) do bairro, mas há três meses foi obrigada a pedir para a irmã que mora na Capital vir buscar sua caçula para poder trabalhar ao menos por meio período. “Não tenho parentes aqui, não posso pagar para cuidar das crianças. Enviei muitos currículos e já perdi alguns empregos por não ter com quem deixar meus filhos. Isso porque a gente paga imposto e a creche está inacabada na porta de nossa casa. Não temos direito nem ao que é nosso”, lamenta.

Entretanto, a Emei não consegue ser a alternativa para quem tem filhos menores. A vendedora autônoma Silene Aparecida Alves perdeu clientes por não conseguir sair de casa para oferecer seus cosméticos por catálogo. Ela espera que a filha de 3 anos faça 4 para colocá-la na escolinha e poder levar o bebê de 1 ano para suas andanças de meio período. “Deixava-os com o pai. Às vezes deixo com um vizinho, quando as coisas apertam muito, porque graças a Deus meu marido, que estava desempregado, arrumou um bico e chega tarde. Tenho que ficar em casa.”

Mãe de gêmeas, a doméstica Claudia da Silva Santos afirma que já perdeu a conta de quantas vezes foi até a creche São Francisco, que atende ao bairro e fica a uma quadra de sua casa, tentar vaga para as filhas. Até a patroa que aguarda seu retorno já tentou interceder. “Preciso voltar ao trabalho, estou desesperada. Já procurei vaga até na creche do Vânia Maria, mas antes das minhas meninas têm 122 crianças na espera”, conta, desapontada.

Uma das poucas mães que conseguiu vaga na creche do bairro vizinho é Simone Bueno, que carrega no colo por mais de um quilômetro a filha Evelyn, de 2 anos, todas as manhãs e fins de tarde. “Mesmo com todo o sacrifício, porque a nenê não dá conta de andar tanto, não posso reclamar. Afinal, consegui uma vaga depois de procurar até na Nova Esperança. Mas seria muito mais fácil contar com a creche perto de casa.”

Novela

Segundo o presidente da Associação de Moradores do bairro, Vivaldo Pereira Martins, que arquiva uma série de documentos relativos à obra da creche, o equipamento estava na lista de prioridades desde 1999. Dentre o material também se encontra uma carta de maio de 2001, que comunicava a rescisão do contrato da prefeitura com a empresa J&J Ltda., de Jaú. A vencedora da licitação de cinco obras na cidade não estaria honrando com os serviços.

O secretário de Obras de Bauru, Antônio Carlos Duarte, informou que uma nova licitação está em processo conclusivo e deve sair nos próximos dias. Ele explicou que das cinco obras contratadas na época apenas duas foram entregues pela empresa jauense: uma unidade de saúde no Beija-Flor e um galpão na Casa do Garoto.

Duarte informou ainda que prefeitura concluiu com seus próprios recursos uma escola na Vila Tecnológica, iniciada pela J&J em 99 e inaugurada no último fim de semana.

Sandra Scriptore, secretária do Bem-Estar Social, ao retornar de férias esta semana, também foi informada do andamento do processo de licitação da creche que deverá atender 135 crianças e terá 20 vagas de berçário. Ela adverte também que com a transferência das creches para a pasta da Educação o projeto pode ser ampliado com um sistema de ensino integrado.

Até o fechamento desta edição, o JC não conseguiu obter um posicionamento da Secretaria Municipal de Finanças sobre o andamento do processo de licitação da creche do Santa Edwirges e do prédio do Programa de Encaminhamento ao Trabalho (PET) do Parque Jaraguá, que também está com a construção inacabada pelo mesmo motivo.