10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Pesquisa pode redirecionar o ensino

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A nova edição da Pesquisa da Atividade Econômica Paulista (Paep), realizada pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), poderá direcionar o ensino profissionalizante no Brasil, especialmente no Estado de São Paulo. Na região administrativa (RA) de Bauru, que engloba cerca de 35 municípios, a pesquisa pretende visitar 1.172 empresas.

Os resultados, segundo o diretor de produção de dados da fundação, Luiz Henrique Proença Soares, servirão de subsídios para escolas e entidades que deverão formar profissionais aptos a preencher as necessidades das empresas. Ontem, Soares esteve em Bauru para, juntamente com representantes das instituições de apoio, divulgar detalhes da abordagem da Paep deste ano.

De acordo com Soares, o Governo Federal, através do Ministério da Educação, encomendou um caderno específico sobre recursos humanos. “Visa aferir quais são as demandas das empresas em matéria de formação profissional, especialmente para o pessoal do nível médio, mas não somente.”

A pesquisa, segundo o diretor, vai verificar quais são os requisitos de escolaridade das empresas e as capacidades específicas de seus funcionários. “Como por exemplo, a capacidade de se comunicar por escrito, domínio de um idioma estrangeiro, de informática e até atributos pessoais, como o trabalho em equipe”, explica Soares.

Segundo ele, o governo está fazendo um amplo programa de reestruturação do ensino profissionalizante no Brasil. â€œÉ preciso saber, do ponto de vista das empresas, o que está sendo demandado para poder implementar as reformas.”

O resultado da pesquisa deve direcionar, ainda, as entidades envolvidas com formação profissional. “Elas poderão direcionar melhor as suas atividades no que diz respeito à formação e atualização profissional e, até mesmo, na organização de iniciativas para promover o desenvolvimento das empresas filiadas”, acrescenta Soares.

Pesquisa

A Fundação Seade fará pesquisas em 43 mil empresas do Estado de São Paulo, com informações relativas ao ano de 2001. O objetivo é medir todas as alterações ocorridas na economia paulista durante a década de 90. “Isto é, na forma como as empresas passaram a funcionar a partir desse verdadeiro vendaval que aconteceu na economia paulista e brasileira nos anos 90”, explicou o diretor da fundação.

De acordo com Soares, a pesquisa quer saber, por exemplo, o que as empresas estão fazendo em matéria de inovação tecnológica. Isso inclui a incorporação de recursos de informática, os novos requisitos para a contratação de pessoal, a capacidade de exportação. “Enfim, uma série de questões que dizem respeito à competitividade das empresas.”

A pretensão, segundo o diretor, é oferecer aos poderes públicos, nas esferas federal, estaduais e municipais, informações para que possam atuar no sentido de promover o desenvolvimento e de impulsionar a criação de empregos.

Outro setor que poderá ser beneficiado, segundo Soares, é o empresarial. “Os próprios empresários poderão usufruir ao poder comparar a posição de cada uma de suas empresas em relação às demais do setor em que atuam”, observa.

O setor acadêmico poderá fazer diversos estudos e pesquisas a respeito dessa matéria. “Eu queria chamar a atenção para o fato de que a pesquisa é importante para a Federação de Produtores, das indústrias, do comércio, Sebrae, Associações Comerciais e Sindicato da Construção Civil (SindusCon), que são nossos parceiros. Com os resultados, essas entidades vão direcionar muito melhor as suas atividades”, destaca Soares.

Inovação

A última pesquisa realizada pela Fundação Seade foi em 1997, com dados referentes ao ano anterior. “Nesta nova edição, incluímos todo o setor de serviços, porque é um segmento importante do ponto de vista econômico, para a geração de empregos etc.”

Na opinião de Soares, muitos dos serviços são modernos e servem de apoio às empresas. “Significa a renovação do parque produtivo, um grau de competividade mais elevado para uma economia regional, por exemplo”, afirma o diretor de produção de dados.