08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Praia de Arealva


| Tempo de leitura: 4 min

Gostaria de fazer algumas colocações com relação à matéria publicada por este conceituado jornal de segmento democrático sempre procurando informar sem interferir na formação opinativa de seus leitores.

Reportagem é do dia 4 último, com a destacada manchete: “Reforma gera polêmica em Arealva”, assinada pelo jornalista Adilson Camargo. Não tenho pretensão de advogar uma causa preocupante para os proprietários dos quiosques (barracas) da prainha artificial existente há mais de 15 anos com administração de gestões anteriores. Me dói ver aquela área de lazer e camping num estágio de completo abandono, situação desumana em sua infra-estrutura causando sim constrangimento aos turistas visitantes nos finais de semana. Lendo na reportagem aludida às colocações do prefeito, dr. Elson Banuth, de Arealva, o leitor pode ter tido a precipitada conclusão de que os barraqueiros são os responsáveis por aquele estado lamentável do local de visitação pública. Se dependesse dos barraqueiros, aquele local teria infra-estrutura digna de receber os mais de 4 mil turistas que circulam por lá nos finais de semana de muito calor.

Dr. Elson Banut ficou devendo nas suas críticas aos barraqueiros o seguinte: a portaria de recepção da praia com funcionários da municipalidade contabiliza apenas num domingo de movimento a média de 800 carros pagando taxa ou pedágio de R$ 5,00 por carro. Além dos 15 ônibus em média, taxa de R$ 40,00 cada; caminhões, R$ 15,00 e moto, R$ 3,00. Verba que deveria estar comprometida com o caixa-praia para a manutenção e melhorias necessárias.

O leitor pode então perguntar: “E os barraqueiros, não faturam?” Realmente eles têm seu lucro pelo bom atendimento aos turistas. O dinheiro arrecadado pela administração do dr. Elson nos pedágios da prainha em mais de 6 anos poderia mudar completamente o visual e a estrutura de lá. Os barraqueiros acreditam que a grana teve outro rumo. Isto é responsabilidade da Prefeitura local que, por força de um contrato de comodato, tem a posse daquela área até determinada data - segundo a boca pequena, junho de 2003. Podendo ou não ser renovado pela Prefeitura Municipal, independente do prefeito em gestão.

Entendemos que o direito temporário de posse não dá forças para a Prefeitura fazer o que está fazendo, (tentando) despejar aquelas pessoas em nome de uma propalada reestruturação. Reestruturação que já poderia ter sido efetuada porém fundamentada em outras medidas e critérios sociais. Vale lembrar que os proprietários das barracas são gente de bem, cidadãos honrados que inclusive ajudaram a eleger o dr. Elson Banuth, que confiam na sua postura sensível de médico. É claro, dr. Elson, que em toda Sodoma ou Gomorra há ímpios mas também justos, segundo o anjo de Deus.

O strep-tease divulgado na matéria foi da responsabilidade de um filho da perdição, o que não pode generalizar a responsabilidade aos mais de 16 barraqueiros de moral comprovada. As pessoas de bem que estão aterrorizadas com o despejo esperavam do sr. prefeito uma atitude para a moralização do local. O dr. Elson, prefeito de Arealva, conseguiu deixar no coração destas pessoas uma doença muito comum hoje em dia, ou seja, a humilhação. Impondo a elas a perspectiva de um despejo. Elas não pretendem complicar sua pretensão de reestrutura da prainha. Se baseiam naquela sensibilidade cristã que o prefeito tanto pregou em seus comícios. E o direito que elas têm de acreditar numa postura mais social do prefeito e até arriscar na esperança de merecer pelo menos uma reunião coordenada pelo dr. Elson com uma solução mais justa, e menos autoritária.

Os barraqueiros não merecem este rótulo de invasores. Invasores não pagam água para Sabesp, não pagam luz para CPFL. Eles têm outrossim consciência que a área onde estão seus imóveis é de propriedade da A. S. Tietê, sucessora da Cesp. Os barraqueiros, muitos deles votantes (eleitores), de Arealva só reivindicam na Justiça de Bauru, através liminar competente, indenização financeira e moral por aquilo que estão passando em prejuízo às suas estruturas de sobrevivência. Um dia até pensei: vou transferir meu título para Arealva e também de meus familiares para votarem naquele que se vestia de cordeiro nos palanques. Mas mudei de idéia, não vale a pena.

Ele se recusa hoje a tirar os espinhos de algumas de suas ovelhas, porém o verdadeiro pastor Jesus Cristo está presenciando esta injustiça e baterá seu martelo de eqüidade no seu tempo para tirar esta dor dos injustiçados barraqueiros. Tento em vão entender melhor este efeito anti-Cristo, que sentimos a cada instante nesta tão cruel sociedade.(Moacir Gouvea - RG: 8.579.491)