11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Vendas de veículos a álcool crescem 300% em três anos

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

As vendas de carros a álcool no País cresceram 316,04% nos primeiros sete meses de 2002, em comparação aos 12 meses de 2000, de acordo com números da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Segundo dados da federação, em todo o ano 2000 foram comercializados 5.525 veículos com motor a álcool e, em 2001, as vendas chegaram a 9.624. De janeiro a julho deste ano, foram vendidos 22.986 carros a álcool, mais que o triplo do número registrado há dois anos.

Até o final deste ano, a expectativa da Fenabrave é de que seja atingida a marca de 38 mil automóveis a álcool comercializados. A principal demanda seria por parte de taxistas para frotas de órgãos públicos.

Em declaração à imprensa, o presidente da Fenabrave, Hugo Maia de Arruda Pereira, afirma que o principal atrativo do motor a álcool é, principalmente, o preço do combustível, que pode custar 60% a menos que a gasolina.

Mesmo assim, expõe Pereira, o consumidor ainda tem certa resistência em adquirir um veículo a álcool. “O mercado teme que, como já ocorreu no passado, não exista produção do álcool carburante como combustível, acarretando em falta num primeiro momento”, declara.

Em Bauru, as concessionárias de veículos têm registrado um aumento significativo na procura pelos motores a álcool, mas as vendas não tiveram aumento porque a produção ainda é muito pequena.

Procura

De acordo com a gerente de vendas de uma concessionária Fiat, Leila Maria Farinho, o interesse do consumidor pelo carro a álcool vem crescendo, mas não há o veículo para pronta entrega. “A tendência é de que aumentem as vendas do carro a álcool, sem dúvida”, declara.

“Depois que o governo disse que vai ter algum incentivo (à produção de álcool), as pessoas estão procurando, mas não há vendas ainda”, continua Leila. Para ela, o consumidor ainda teme a possibilidade de comprar um automóvel desse tipo e ficar sem combustível. “O cliente está esperando uma posição mais firme do governo”, aponta.

Na opinião do gerente de vendas José Antônio Rossini, que trabalha em uma concessionária Volkswagen, os veículos a álcool só não são comercializados em maior quantidade porque não há unidades disponíveis. “A procura está sendo muito grande. A fábrica é que não está conseguindo suprir essa demanda”, revela.

De acordo com Rossini, atualmente, 30% da procura na concessionária é em relação a carros a álcool. “Se eu tivesse mais carro, estaria vendendo bem”, diz. Para ele, um possível programa de incentivo ao carro a álcool é garantia para afastar a possibilidade de falta do combustível no mercado, como já ocorreu anteriormente. “Tenho a impressão de que eles (o governo) não devem cometer os mesmos erros do passado”, observa o gerente.

Para Rossini, além do preço mais acessível, as vantagens do carro a álcool são, em primeiro lugar, a durabilidade e, em seguida, o benefício ao meio ambiente. “O motor a álcool, indiscutivelmente, proporciona vida útil maior ao carro, menos desgaste e poluição praticamente zero”, ressalta.

Para o comerciante Nilson Jorge Simão, proprietário de uma revenda Ford, o medo do consumidor é de que, com o aumento na produção, o preço do álcool atinja o mesmo patamar da gasolina, ou até mesmo de que haja escassez do produto nos postos. Apesar disso, a procura na loja é grande. “Está crescendo o número de interessados em adquirir carro a álcool novo”, afirma.

De acordo com Simão, o consumidor poderá encontrar mais segurança em um novo modelo de motor, com previsão de lançamento pela Ford para 2003. O chamado “carro bicombustível” vai trabalhar tanto com gasolina quanto com álcool - ou a mistura dos dois em qualquer proporção. “Você apenas abastece e o carro reconhece o combustível”, revela o comerciante.