11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Sindicato dos Ferroviários aguarda medida do MPT contra monocondução

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Representantes sindicais dos ferroviários aguardam para breve ação cautelar do Ministério Público do Trabalho (MPT) impedindo a implantação do sistema de monocondução nos trens da Ferrovias Bandeirante (Ferroban). Ontem, o MPT ouviu maquinistas e auxiliares ligados ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso numa audiência realizada em Bauru.

De acordo com o coordenador geral licenciado do sindicato, Roque Ferreira, a expectativa é de que o procurador Luís Henrique Rafael, diante dos argumentos apresentados pelos trabalhadores, acione a Ferroban. “Para impedir que circulem trens nesse trecho conduzidos por só um maquinista”, explica Ferreira. O procurador não foi encontrado pela reportagem para comentar o assunto.

Segundo os funcionários da empresa que foram ouvidos no MPT, a Ferroban ordenou, no último dia 19, que todas as composições férreas que fazem a linha Mairinque-Bauru, trecho de 250 quilômetros, operem com apenas um maquinista. O auxiliar de maquinista estaria, portanto, dispensado da função.

Os funcionários, apesar da pressão, contam que paralisaram suas atividades. Diante da situação, o sindicato ofereceu denúncia ao MPT.

“Trabalho conjunto”

De acordo com o maquinista José Roberto da Cunha, 38 anos, é “muito arriscado” conduzir um trem sem auxiliar. â€œÉ um trabalho conjunto. Além do que, com o trem em movimento, o ajudante observa a lateral, a linha. Ele me ajuda a detectar alguma coisa que está na frente ou atrás e eu não tenho visão”, explica o maquinista, que trabalha há 21 anos na função.

De acordo com Cunha, a alegação da empresa é de que sete trens que estão parados seriam, a partir da medida, conduzidos pelos auxiliares, que seriam promovidos. “A Ferroban está querendo contornar dizendo que está fazendo contenção de gastos”, diz o maquinista.

O auxiliar de máquina Walmir Rocha, 43 anos, há 15 anos na ferrovia, não vê vantagens em aumentar o fluxo ou mesmo ser promovido. “Eles iam acabar com o ajudante para aumentar o fluxo de trens. Com isso, a segurança passa a ser diminuída”, declara. E completa. “Não é a empresa que vive a circulação ou a monocondução. Somos nós, maquinistas.”

De acordo com Rocha, a condução de trens por apenas uma pessoa é inadmissível, pois são muitas as funções do auxiliar. “Quando ele (o maquinista) está operando no controle, eu tenho que ver se tem pedestre na linha, passagem de nível ou mesmo se tiver algum veículo descarrilado, eu tenho que alertar antes que haja um capotamento, danos maiores. E nós conduzimos petróleo, que tem um risco muito maior”, relata o auxiliar.

Para o diretor do sindicato da Zona Sorocabana, João Cláudio Alves, não é só a vida dos condutores que estaria em risco se a monocondução fosse implantada. “Além de colocar em risco a tripulação, que já está em risco pela situação precária das máquinas, põe em risco a população das cidades por onde passa o trem”, observa.

De acordo com um documento da Ferroban expedido no último dia 20, nos 250 quilômetros de linha que separam Mairinque e Bauru existem cerca de 45 trechos em que há restrições de velocidade. Entre os motivos, há desde linha desnivelada e acidentada a locais onde ocorreram acidentes.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Ferroban, em São Paulo, mas a responsável pelo assunto não foi localizada.