Equipes da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru e policiais civis de Agudos e Duartina prenderam na madrugada de ontem o terceiro acusado de envolvimento na morte do administrador de empresas Nelson Olyntho Machado, 52 anos, desaparecido desde o último dia 8.
Marcelo Gabriel Ferreira, 32 anos, conhecido como “Marcelo Negãoâ€, foi preso na Fazenda Santa Maria, município de Duartina, onde estava escondido.
A polícia aguardava a prisão dele para o esclarecimento do crime, fato que não aconteceu, porque ele também, ao que tudo indica, pode ter sido enganado pelos demais envolvidos, Reinaldo Pereira de Brito, conhecido como Nardo, e Fabiano Aparecido Cardoso, vulgo Lampião.
Negão contou à polícia que participou do seqüestro do administrador, no dia 8, na avenida Getúlio Vargas, próximo ao escritório da vítima. Disse que Nardo queria dar um susto no seu cunhado, “que havia desaparecido com a mulher deleâ€.
No local, cafezal da Fazenda São José, Negão teria assistido Nardo e Lampião agredir a vítima. Mas alega que deixou a propriedade rural, por duas horas, com a Ipanema do administrador para abandoná-la no município de Cabrália Paulista, onde o veículo foi encontrado no dia seguinte.
Na versão apresentada pelo acusado, quando ele deixou o cafezal a vítima estava desacordada, porém, não morta. Ele apontou o local, com terra fofa, onde seus comparsas pretendiam enterrar o administrador.
Por mais de duas horas, o trator da fazenda fez escavações e o corpo não foi encontrado, indicando que enquanto Negão saiu com o carro, seus comparsas trataram de dar outro fim ao corpo da vítima.
Lampião foi levado ao cafezal para confirmar ou apontar novo local, mas usou de seu direito de ficar calado.
A polícia aguarda que Lampião decida contar onde o cadáver está enterrado, caso contrário, a equipe de investigação terá que fazer um “trabalho de formiguinha†e vasculhar toda a área suspeita.
Crime macabro
O administrador de empresas Nelson Olyntho Machado, 52 anos, foi seqüestrado nas proximidades de seu escritório por seu ex-cunhado, Reinaldo Pereira Brito, Fabiano Aparecido Cardoso e Marcelo Gabriel Ferreira.
Pela versão de Negão, Nardo teria dito aos demais envolvidos que pretendia dar um susto no ex-cunhado porque ele teria “sumido†com sua mulher, Ana Rita Machado.
O casal passava por um momento turbulento no relacionamento e ela acusava o marido de agressões e espancamentos.
No cafezal para onde a vítima teria sido levada no mesmo dia do seqüestro, Nardo e Lampião teriam iniciado uma sessão macabra de socos, pontapés e agressões diversas, até desacordar a vítima. Negão nega ter participado do espancamento.
A cova onde o administrador seria enterrado, na versão de Negão, teria sido cavada com uma trava de carro, situação pouco provável, uma vez que o solo é compactado.
A ocultação do cadáver, que irá agravar o crime, não foi esclarecida. Há várias suspeitas, inclusive de que o corpo tenha sido atirado em uma lagoa da própria fazenda, amarrado a um peso, o que faria com que ele permanecesse no fundo.
Os acusados tiveram a prisão temporária decretada por 30 dias. O juiz decretou a prisão baseado nos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Se condenados, cada um deles poderá pegar mais de 20 anos de prisão.