08 de julho de 2026
Regional

Aterro divide opiniões em Piratininga

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Piratininga - A construção do aterro sanitário está tirando o sono de alguns moradores e proprietários de terras em Piratininga. Eles alegam que a obra poderá interferir na qualidade da água captada por eles, por meio de poços artesianos. Além disso, há suspeitas de que o chorume produzido pelo lixo possa contaminar o córrego Água da Faca, que desagua no rio Batalha e fica a cerca de 300 metros do aterro.

Mas não é só o risco de contaminação da água que está preocupando os moradores. Eles mostram também um forte descontentamento com o cheiro que o depósito de lixo poderá produzir na vizinhança.

Ao lado do terreno onde o aterro deve ser construído existem diversas chácaras, utilizadas para o lazer principalmente nos fins de semana, e algumas residências.

Entre os moradores inconformados com a obra, está Paulo Tavares de Brito. Além de morar no local, a cerca de 100 metros do aterro, ele também é proprietário de um pesqueiro.

Brito tem medo de que o mau cheiro e as moscas trazidas pelo aterro afastem os habituais freqüentadores do local. “Faço o máximo de esforço para manter o ambiente familiar do pesqueiro. Mas depois que o aterro estiver pronto quem vai querer trazer a família para cá?”, questiona.

Depois de interromper o serviço por um erro na demarcação do terreno, as máquinas devem retomar a construção do aterro sanitário a partir desta semana.

Há duas semanas, funcionários da empresa contratada para executar a obra desmataram uma área que não pertencia à prefeitura. Sem uma demarcação clara, eles invadiram um terreno particular e tiveram que interromper o serviço até que a situação se resolvesse.

O local escolhido para receber o aterro está completamente tomada por árvores, muitas delas antigas, e por alguns coqueiros de aproximadamente dez metros de altura.

Assim que a obra for retomada, e se não houver novas interrupções, o aterro deve ficar pronto dentro de quatro meses.

No entanto, os moradores que estão se sentindo prejudicados com a decisão da prefeitura em construir o depósito do lixo às margens da rodovia SP-359, que liga Piratininga à SP-294 (Bauru-Marília), dizem que vão resistir enquanto puderem.

Brito, uma espécie de porta-voz dos moradores e chacareiros revoltados, informou que a briga contra a instalação do aterro não é recente. Ela vem desde 2000, quando o prefeito era Armando Persin (PSDB).

Na ocasião, um grupo de aproximadamente 73 moradores se reuniu para conversar com o então prefeito a respeito do assunto. Eles pediram explicações sobre a obra e expuseram suas preocupações, que são as mesmas de hoje.

Durante a conversa, Persin teria prometido ao grupo que iria procurar uma outra área para instalar o aterro. A mudança de local não se concretizou. Persin não foi reeleito e agora cabe a Odail Falqueiro (PFL) enfrentar o descontentamento dos moradores.

Risco de contaminação

Segundo Brito, mais do que ter de conviver com o mau cheiro do aterro sanitário, os moradores da redondeza estão preocupados com o risco de contaminação dos lençóis freáticos. Pois são eles que abastecem residências e chácaras mais próximas.

A preocupação do grupo ficou ainda maior quando eles descobriram que era possível encontrar água a menos de 20 metros de profundidade. De acordo com Brito, em seu terreno existem vários poços artesianos, a maioria usada para abastecer os tanques do pesqueiro.

Um dos poços abertos por Brito capta água numa profundidade de apenas 11 metros.

Essa proximidade dos lençóis de água com a superfície e a abundância deles próximo ao local onde será o aterro, assusta os moradores. Eles acreditam que isso aumenta o risco de uma contaminação.

Não bastasse isso, a cerca de 300 metros do aterro está o córrego Água da Faca, um dos poucos da região ainda não poluídos. Uma hipotética contaminação do córrego poderia afetar até mesmo parte do abastecimento de água em Bauru, já que o córrego desagua no rio Batalha.

O córrego serve ainda para captação de água para irrigar grandes hortas que abastecem supermercados de Piratininga, Bauru e outras cidades da região.