09 de julho de 2026
Política

José Aníbal ataca propostas de Ciro

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 7 min

Além de continuar repetindo que Ciro Gomes é mentiroso ao citar realizações de sua vida pública, o PSDB vai mostrar no horário eleitoral da televisão que o adversário de José Serra tem propostas inconseqüentes. A afirmação é do deputado federal e candidato ao Senado, José Aníbal (PSDB). Ele fez campanha em Bauru, ontem, ao lado de Pedro Tobias e Caio Coube, candidatos à Assembléia Legislativa e Câmara dos Deputados.

José Aníbal disse que na carta enviada ao governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), deixou claro o risco que o País está correndo ao ressuscitar o novo Collor. Tasso deixou a campanha de Serra para apoiar Ciro. Aníbal lembra que Ciro Gomes foi da Arena, é oportunista e defende propostas inviáveis como o plebiscito para dissolver o Congresso Nacional. Leia as principais afirmações de Aníbal em entrevista coletiva à imprensa:

Imprensa - Como o senhor pretende reverter esta posição na campanha para o Senado? José Aníbal - Pelo ânimo que eu vejo aqui e o meu próprio, eu sei que vamos ganhar a eleição. Até aqui tem muito pouca informação sobre candidatura ao Senado e é natural. O principal está voltado para a eleição a presidente da República e em um segundo plano para o governo do Estado. Em um terceiro plano ainda há a candidatura a deputado que está presente em todos os estados e no Interior. A candidatura ao Senado tem pouco registro junto ao eleitorado. Mas com o início da propaganda eleitoral o eleitorado vai começando a se posicionar, aos poucos, sobre os concorrentes ao Senado. Muito pouca gente conhece os nomes e menos gente ainda sabe que terá que escolher dois senadores. Acho que a relação entre o que os candidatos fizeram e o que dizem vai marcar também a eleição ao Senado.

Imprensa - Qual o diferencial do senhor? Aníbal - Acredito que marquei compromisso com São Paulo no emprego e na educação para o trabalho quando fui secretário do governador Covas e do governador Geraldo. Tanto que esse compromisso voltou a ser firmado várias vezes como parlamentar quando aprovamos a lei de informática e eu aprovei no Senado. Esta lei garantiu o emprego no setor em São Paulo e está ajudando a atrair novos empregos. Vou continuar atuando nessas áreas, como as Fatecs que estamos trabalhando para ampliar e já existem mais dez delas autorizadas e é para o Interior principalmente. E como senador vou trabalhar para que São Paulo participe melhor da fatia de distribuição de recursos. A Universidade Federal por São Paulo, em São Carlos, tem apenas um campus e é a menor do País. Este é apenas um exemplo. Vamos lutar pela Universidade Federal de São Paulo no Interior.

Imprensa - O senhor acha que o Serra já está se aproveitando do horário eleitoral? Aníbal - Não é uma mudança instantânea. É uma mudança que vai se construindo a partir da confiança, da credibilidade que o candidato cria junto ao eleitor. O Serra está alcançando isso mas precisa de mais alguns dias para que isso se reflita nas pesquisas. Mas não tenho a menor dúvida que o Serra vai disputar o segundo turno. Porque as diferenças entre ele e os demais candidatos são enormes. Ele tem equilíbrio, capacidade de lutar pelo interesse da população - e está aí o genérico e a quebra das patentes, o programa da saúde familiar, decisão para mudar o que for preciso e competência para o Brasil avançar mais.

Imprensa - Mas ele ainda está indo mal nas pesquisas? Aníbal - Nós temos três contra um nesta eleição. Três supostos candidatos de oposição contra o candidato do governo, do PSDB. Agora leva um tempo para que a candidatura atacada se firme. Temos o registro de propostas inconsequentes e inviáveis mas que até um certo momento sensibilizam o eleitor. Até porque um dos candidatos é candidato há 12 anos. É a quarta eleição que ele disputa (Lula). O outro é candidato há seis anos, é a segunda eleição que disputa (Ciro). E o outro é candidato desde o dia em que entrou no governo do Rio de Janeiro (Garotinho). O Serra é candidato há seis meses mas vamos oferecer ao eleitor a informação necessária para a boa comparação.

JC - Que propostas inconseqüentes o senhor destaca dos adversários do Serra? Aníbal - Todas, a maioria. Vamos pegar o Lula. Ele disse que ia renegociar a dívida dos estados e municípios. E aí a pergunta básica é como o senhor vai fazer isso? O governo federal fez um esforço enorme e recebeu todas as dívidas dos estados e municípios que estavam quebrados e renegociou por 30 anos. O Lula acenou para os prefeitos para renegociar para ganhar a simpatia deles. A resposta que ele deu mostra que não há nenhuma consequência prática no que ele disse. Isso é demagogia. As propostas do Ciro são todas inconsequentes. A proposta de Reforma Tributária é um desastre e não sou que digo é o analista da Folha de São Paulo Élio Gaspari. Depois ele fez proposta de alongar a dívida com juro mais alto e nós queremos reduzir os juros. Depois fez a proposta da capitalização da previdência. Como vai capitalizar um sistema deficitário? Isso não existe. Ele apresenta soluções inviáveis muito próprias de um candidato absolutamente impulsivo, instável e que lembra muito fortemente o Fernando Collor.

JC - O senhor fez referência direta ao Collor na carta enviada ao Tasso. Aníbal - Isso. Deixei muito claro isso. Faço a associação do Ciro com o Collor sem nenhuma preocupação de estar sendo leviano ou forçando a barra. É isso mesmo. O Ciro não tem nenhum compromisso com a democracia e com as instituições tanto que disse que no governo dele quer fazer plebiscito ou para tirar o presidente ou para dissolver o Congresso. Isso é de uma gravidade total. O país democrático tem instituições possuídas pelo povo e segmentadas pelo parlamento. Ele não é um imperador que vai tirar as instituições. É inconseqüente e ganhou a simpatia do público porque inicialmente verbaliza bem as coisas inconsequentes. O povo brasileiro vai ver que este candidato é um atalho que vai levar ao precipício. Nós vamos mostrar nossas propostas e mostrar ao eleitor que as dele são inconsequentes.

Imprensa - Essas críticas ao Ciro explicam a estratégia de disputa pela corrida eleitoral? Aníbal - Ela se explica porque nós lutamos muito pela democracia e o Ciro Gomes era da Arena quando isso aconteceu. Ele é um político oportunista, basta ver as alianças que está fazendo hoje. São os colloridos, com os ressentidos, os desesperados. Todos estão com eles. Nós lutamos pela democracia para poder dizer as coisas, discutir, falar. E nós não vamos deixar de dizer que ele é inconseqüente, que ele abusa da democracia para dizer mentiras. E o Serra já disse algumas de suas mentiras no período em que passou pelo Ministério da Fazenda por 116 dias. Nosso candidato é criticado todo dia e nós respondemos. Então temos que mostrar ao eleitor quem é o Ciro.

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Juventude partidária

Jovens de 14 cidades da região estiveram reunidos ontem em Bauru no 2.º Encontro Regional da Juventude Tucana. De acordo com o coordenador local do grupo, Marcelo Graziani, o objetivo principal foi orientar os participantes para a mobilização pelas campanhas eleitorais.

O facilitador Daniel Lima, do Laboratório de Aprendizagem Política, em parceria com o Instituto Teotônio Vilela, ministrou palestra sobre “Social democracia e política para a juventude”.

As atividades foram encerradas com a realização de uma plenária, de onde sairiam propostas de políticas de governo voltadas para a juventude partidária. “As sugestões serão direcionadas às esferas federal e estadual, porque sentimos a necessidade de ter uma maior representatividade juvenil regional”, acrescenta Graziani.

Segundo ele, a expectativa era atrair 150 pessoas para o encontro, que engloga cidades dasregiões de Bauru, Jaú e Lins. No momento da entrevista, havia cerca de 70 pessoas no local. O evento foi realizado na sede da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag). (Sabrina Magalhães)