Os problemas da periferia da cidade tiveram origem há décadas, quando começaram a ser loteadas as primeiras glebas de terra do município. De acordo com a secretária municipal do Planejamento, Maria Helena Rigitano, nas décadas de 40, 50 e 60, houve uma explosão de loteamentos na cidade, sem nenhuma infra-estrutura. “Naquela época, as empresas que loteavam a área apenas abriam as ruas e não tinham nenhum tipo de obrigação com relação às necessidades básicas do bairroâ€, explica.
Assim nasceram os bairros mais afastados da cidade, como o Parque Jaraguá, o Santa Cândida e o Jardim Manchester, de acordo com a secretária. “O desenho que os loteadores faziam para ilustrar a gleba tinha apenas ruas abertas. Nem os lotes eram demarcadosâ€, ressalta Maria Helena.
Segundo o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, esses lotes, que costumavam ter preços e formas de pagamento mais facilitados, acabaram atraindo a população de baixa renda para essas áreas sem infra-estrutura. “Com o tempo, não se sabe mais de quem é a responsabilidade pela implantação de energia, água, esgoto, e quem sofre é a populaçãoâ€, destaca.
Ele explica que, como esses bairros ficam muito distantes da região central da cidade, existe uma série de dificuldades para estender os serviços básicos até eles. “As redes de água e esgoto, por exemplo, requerem um alto investimento para chegar em pontos distantesâ€, ressalta.
De acordo com Brito, que tem uma convivência grande com os moradores da periferia, essas pessoas não se sentem integradas à cidade, justamente por não usufruirem de serviços básicos do município. â€œÉ comum essas pessoas procurarem a Defesa Civil reclamando que estão se sentindo esquecidas pela administração públicaâ€, diz Brito.
Segundo ele, Bauru ainda não conseguiu definir qual é a sua identidade e, dessa forma, tornou-se uma cidade seccionada. “Às vezes, você passa por um bairro e tem a impressão de que está em outra cidade. Nem parece Bauruâ€, ressalta.
Ele explica que esses bairros, geralmente, estão localizados à margem das rodovias, nos pontos extremos da cidade.
Obras
O chefe de Gabinete da Prefeitura Municipal, Antonio Sérgio Marsola, afirma que a administração pública não abandonou a periferia da cidade. Ele lista uma série de obras que estão sendo feitas na cidade e diz que não é possível atender a todas as reivindicações ao mesmo tempo. “Temos um cronograma a cumprir e estamos seguindo à risca o que foi determinado, conforme o orçamento do municípioâ€, diz.
De acordo com ele, a principal reivindicação dos moradores da cidade sempre foi e continua sendo o asfalto. “Até o final do ano, o asfalto vai acabar chegando a todos os bairros, nem que seja apenas na principal via de acessoâ€, destaca Marsola.
Ele explica que a prefeitura está fazendo um acordo com as empresas de ônibus da cidade para levar a pavimentação asfáltica a todo o itinerário dos circulares.
Marsola ressalta que a cidade toda estava precisando de reparos e, mesmo as ruas já asfaltadas, estão recebendo o recape. “Além disso, temos 28 projetos de galerias de águas pluviais em andamentoâ€, destaca.
Aos moradores do Parque Viaduto, Marsola dá uma boa notícia. Segundo ele, a pavimentação da rua Bernardino de Campos, principal via de acesso ao bairro, será concluída nos próximos meses. “A obra foi impulsionada pelo fluxo de pessoas do Núcleo Joaquim Guilhermeâ€, destaca.