08 de julho de 2026
Bairros

Bairros surgiram sem planejamento

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Os problemas da periferia da cidade tiveram origem há décadas, quando começaram a ser loteadas as primeiras glebas de terra do município. De acordo com a secretária municipal do Planejamento, Maria Helena Rigitano, nas décadas de 40, 50 e 60, houve uma explosão de loteamentos na cidade, sem nenhuma infra-estrutura. “Naquela época, as empresas que loteavam a área apenas abriam as ruas e não tinham nenhum tipo de obrigação com relação às necessidades básicas do bairro”, explica.

Assim nasceram os bairros mais afastados da cidade, como o Parque Jaraguá, o Santa Cândida e o Jardim Manchester, de acordo com a secretária. “O desenho que os loteadores faziam para ilustrar a gleba tinha apenas ruas abertas. Nem os lotes eram demarcados”, ressalta Maria Helena.

Segundo o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, esses lotes, que costumavam ter preços e formas de pagamento mais facilitados, acabaram atraindo a população de baixa renda para essas áreas sem infra-estrutura. “Com o tempo, não se sabe mais de quem é a responsabilidade pela implantação de energia, água, esgoto, e quem sofre é a população”, destaca.

Ele explica que, como esses bairros ficam muito distantes da região central da cidade, existe uma série de dificuldades para estender os serviços básicos até eles. “As redes de água e esgoto, por exemplo, requerem um alto investimento para chegar em pontos distantes”, ressalta.

De acordo com Brito, que tem uma convivência grande com os moradores da periferia, essas pessoas não se sentem integradas à cidade, justamente por não usufruirem de serviços básicos do município. â€œÉ comum essas pessoas procurarem a Defesa Civil reclamando que estão se sentindo esquecidas pela administração pública”, diz Brito.

Segundo ele, Bauru ainda não conseguiu definir qual é a sua identidade e, dessa forma, tornou-se uma cidade seccionada. “Às vezes, você passa por um bairro e tem a impressão de que está em outra cidade. Nem parece Bauru”, ressalta.

Ele explica que esses bairros, geralmente, estão localizados à margem das rodovias, nos pontos extremos da cidade.

Obras

O chefe de Gabinete da Prefeitura Municipal, Antonio Sérgio Marsola, afirma que a administração pública não abandonou a periferia da cidade. Ele lista uma série de obras que estão sendo feitas na cidade e diz que não é possível atender a todas as reivindicações ao mesmo tempo. “Temos um cronograma a cumprir e estamos seguindo à risca o que foi determinado, conforme o orçamento do município”, diz.

De acordo com ele, a principal reivindicação dos moradores da cidade sempre foi e continua sendo o asfalto. “Até o final do ano, o asfalto vai acabar chegando a todos os bairros, nem que seja apenas na principal via de acesso”, destaca Marsola.

Ele explica que a prefeitura está fazendo um acordo com as empresas de ônibus da cidade para levar a pavimentação asfáltica a todo o itinerário dos circulares.

Marsola ressalta que a cidade toda estava precisando de reparos e, mesmo as ruas já asfaltadas, estão recebendo o recape. “Além disso, temos 28 projetos de galerias de águas pluviais em andamento”, destaca.

Aos moradores do Parque Viaduto, Marsola dá uma boa notícia. Segundo ele, a pavimentação da rua Bernardino de Campos, principal via de acesso ao bairro, será concluída nos próximos meses. “A obra foi impulsionada pelo fluxo de pessoas do Núcleo Joaquim Guilherme”, destaca.