Se depender da vontade da candidata a deputada estadual Estela Almagro (PT), o eleitorado de Bauru deve reciclar seus representantes na Assembléia Legislativa nas eleições de outubro. Integrante da ala light do PT, ela aposta na quebra da hegemonia dos “sobrenomes†que, segundo a petista, há anos se revezam no poder.
“A cidade de Bauru precisa parar de fazer uma política de sobrenomes e começar a fazer uma política de nomesâ€, diz. O pedido vem reforçado: â€œÉ preciso mudar os partidos e as figuras políticas. Só assim será possível reciclar.â€
Estela acredita que o eleitorado consegue enxergar a importância da mudança a partir de diferenciais na apresentação de propostas. “Na campanha para a prefeitura tivemos a intenção de quebrar essa hegemonia e colocar novos nomes e propostas à sociedadeâ€, lembra.
A petista pretende, caso seja eleita, abrir seu mandato ao debate político com a comunidade. “Dessa forma, vamos integrá-lo com nossa atuação na Assembléia e com o governoâ€, sugere.
A candidata acha que temas importantes que envolveram o município nos últimos meses não foram devidamente discutidos com a comunidade.
“Tivemos a polêmica com a Febem e as privatizações que geraram desemprego. São temas que não foram debatidos com coletividade.â€
Estela considera “vergonhoso†o que o atual governo fez com as finanças do Estado. “Maquearam o orçamento. Com esse discurso do saneamento da dívida, nós nunca devemos tanto no Estado de São Paulo como agoraâ€, critica.
A petista avalia que esse tipo de debate não chega até a comunidade. “Essas informações não chegam à sociedade. Nosso mandato se prestará a fazer esse trabalho político.â€
Voto feminino
Ela acha importante a conscientização do voto da mulher, mas vê com cautela a busca dessa segmentação do eleitorado pelos candidatos.
“Acho que mulher também deve votar em mulher. Mas há mulheres que jamais deveriam receber votos de outras mulheresâ€, pondera.
Estela analisa que as mulheres não devem votar em candidatas só pelo fato delas também serem mulheres.
“Sendo mulher ou sendo homem, o importante é a proposta. Mas é importante que as mulheres se vejam representadas por mulheres para olhar a política pública com olhar feminino.â€
Genoíno
O fraco desempenho do candidato do PT ao governo do Estado, José Genoíno, nas pesquisas de intenções de voto não desanima a petista. Genoíno está estabilizado em 10% do universo eleitoral pesquisado pelos institutos.
“A diferença vai ocorrer com o programa eleitoral gratuito, que se iniciou na semana passada. Acredito que a candidatura de Geraldo Alckmin será esmiuçada. Será colocada mais a vista dos eleitoresâ€, prevê.
A petista está convicta de que a candidatura de Genoíno vai crescer nas próximas semanas e arrisca que o partido vai para o segundo turno para disputar com o candidato Paulo Maluf (PPB).
Abertura
A abertura do PT à alianças partidárias mais conservadoras, antes consideradas inaceitáveis pela ala mais radical da legenda, é aceita com naturalidade pela candidata à Assembléia.
Estela adianta que o partido, em nível de Bauru, está se preparando para ampliar seu leque de alianças, com vista a eleição municipal de 2004, na qual a legenda terá candidatura própria à prefeitura.
“Sempre defendemos de forma intransigente que o PT precisava ampliar a sua esfera de atuação. O PT não vai governar sozinhoâ€, prevê.
Ela defende a coligação do PT com o PL em nível nacional, que resultou na indicação do vice de Luiz Inácio Lula da Silva, senador José Alencar (PL-MG).
“O PL manteve, nos últimos quatro anos, uma atuação de oposição ao governo, fechando sistematicamente com o PT e outros partidosâ€, argumenta.
Estela vê na figura de José Alencar um “empresário de respeitoâ€. “Ele (Alencar) não soma só votos. Também soma politicamente para a chapa do Lula.â€
A petista está confiante na vitória do candidato a presidente da República ainda neste primeiro turno.
“O horário eleitoral gratuito e essa reta final de campanha, que é mais efervescente, mostram que há chances. As últimas pesquisas apontam que o eleitor começa a identificar no Ciro Gomes um novo Fernando Collorâ€, observa.
Ela também avalia que a candidatura de José Serra (PSDB) não conseguirá decolar. “E o Anthony Garotinho é um potencial aliado nosso. Seja no primeiro ou no segundo turno. Acreditamos no fôlego que a militância quer impor na candidatura Lula em todas as cidades do País.â€