10 de julho de 2026
Política

Renato busca Assembléia para eliminar os 'disfarces'

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O vereador Renato Purini (PV) está na briga por uma vaga de deputado estadual para tentar acabar com o que ele classifica como “disfarces” da representatividade política de Bauru na Assembléia Legislativa.

Segundo ele, a cidade vai ter que aumentar seu peso político naquela instância para amparar o boom de desenvolvimento que se espera nesta década na sua região.

“Bauru, hoje, tem representantividade política na assembléia, mas de uma forma um pouco disfarçada”, analisa. O vereador acredita que após a inauguração do novo aeroporto, o município vai deslanchar economicamente.

“Vamos ter um estouro de desenvolvimento com o aeroporto pronto”, prevê. Renato ressalta que será preciso conquistar a confiança das grandes empresas e atrai-las para a região.

“A cidade terá que ter uma representatividade política pesada para absorver os futuros empregos e empresas que serão criados, em função do novo aeroporto”, destaca.

Aos 27 anos de idade, o parlamentar costuma dizer que vive política desde quando nasceu. Seu pai, o ex-deputado estadual Roberto Purini (PV), cumpriu cinco mandatos consecutivos na Assembléia Legislativa.

Acostumado ao clima de eleição, não o amedronta enfrentar políticos tradicionais, que carregam mais experiência no setor.

“Respeito e admiro esses homens. Sempre vivi em casa o lado bom da política. Tenho o melhor exemplo, que é o meu pai”, elogia.

Reforço

O eleitorado, principalmente a parcela mais esclarecida, não vê com bons olhos quando um representante eleito para exercer uma função abandona o cargo para disputar uma outra eleição.

Eleito à Câmara Municipal em outubro de 2000, Renato não se preocupa com possíveis cobranças. “Elas não existem”, garante.

“O eleitorado entende a minha decisão. Eu não estou abandonando meu mandato. Na verdade, eu estou reforçando-o. Saio do Legislativo bauruense para ir ao Legislativo estadual”, argumenta.

O parlamentar acredita que como deputado estadual conseguirá viabilizar as verbas necessárias para a cidade e a região.

“Não estou saindo de um cargo do Legislativo para concorrer ao Executivo”, reforça. As duas décadas de experiência acumulada pelo seu pai serão utilizadas para “abrir” os caminhos dos cofres do Estado.

Renato lembra que o município tem um orçamento muito enxuto, cuja capacidade de investimento é restrita. “Isso nos deixa de mãos atadas”, reclama.

“Como deputado, com um orçamento muito maior, tenho certeza de que poderei ajudar muito mais as pessoas.”

“Cabo de guerra”

O fato de estar dobrando candidatura com o pai - que disputa a Câmara dos Deputados -, deixa Renato mais tranqüilo quando o assunto é ética.

“A relação de pai e filho é a mais segura e mais forte que existe na face da Terra”, diz. Ele avalia que a política que se faz hoje en Bauru pode ser comparada a um “cabo de guerra”.

“Cada um puxa para um lado e quem perde é a cidade. As pessoas quando votam não pensam nos interesses próprios. Elas pensam nos benefícios que possam vir para a cidade”, acredita.

Renato não esconde que tem divergências com o pai, resolvidas dentro de casa. “Moro junto com ele e resolvemos pendências com uma conversa rápida, chegando a um denominador comum.”

Futuro verde

Eleito pelo PDT com outros cinco vereadores, o parlamentar conta que se sente bem no PV, para onde migrou no ano passado, junto com o pai e o colega de plenário da Câmara Municipal, José Humberto Santana.

O fato de ter trocado o PDT por um partido menos conservador anima o candidato. “Antes de nos filiarmos ao PV conhecemos seu estatuto e seus números. É um partido que, de 1994 para cá, cresceu demais. Aumentou sua representatividade política, tem idéias inovadoras”, elogia.

Renato diz que é um equívoco pensar que os verdes lutam só pela questão ambiental. “O PV tem inserção política, tem ideais políticos e está inserido nas discussões políticas do País.”

Na opinião dele, a derrota do PDT nas eleições municipais de 2000 foi fundamental para a desativação de sua vida orgânica.

“O PDT também se enfraqueceu nacionalmente. Essa centralização do Brizola (ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola) é uma coisa egocêntrica. Até seu filho saiu do partido e foi para o PT”, argumenta.

O vereador lembra que até mesmo para encaminhar o pedido de desfiliação ao PDT encontrou dificuldades. “Não havia para quem encaminhar. Tivemos que oficiar ao juiz eleitoral. Mas hoje o PDT está mais estruturado. Méritos para o Faria Neto, que é quem comanda a legenda em Bauru.”