Cerca de 70 funcionários do Judiciário Estadual em Bauru, vestidos de preto e com nariz de palhaço, paralisaram os trabalhos no fórum por cerca de meia hora, na tarde de ontem, para “celebrar†o aniversário de um ano do início da maior greve do setor, que durou 80 dias. Segundo manifestantes, as reivindicações aceitas na época não foram cumpridas.
Durante o ato, a presidente da Associação dos Funcionários do Fórum de Bauru, Luciana Dias Duarte, se emocionou ao falar do “valor do Judiciárioâ€. Os manifestantes prepararam um bolo com a inscrição “365 dias de vergonha†e providenciaram uma coroa de flores funerária “em memória ao respeito†da categoria. A greve terminou em 14 de novembro de 2001.
“Até agora, pouco ou quase nada foi cumprido. A reposição salarial foi aprovada pelo Tribunal de Justiça (TJ) em maio, e até agora o governo se nega a passar a verba suplementar para fazer o pagamento da reposiçãoâ€, explica Luciana.
Além da questão salarial, ela afirma que outra reivindicação da época, a compra de novos equipamentos em substituição aos que pertenciam aos servidores, também não foi atendida. “Além de nós termos denunciado e nada ter sido feito, os equipamentos que são dos funcionários agora não recebem nem manutenção do TJ. Eles mesmos (os funcionários) é que têm de fazer a manutençãoâ€, declara.
De acordo com Luciana, os funcionários também são obrigados a levar de casa itens de higiene pessoal, como papel higiênico. O trabalho dos servidores também seria realizado em más condições, dentro de porões com pouco ar ou iluminação. “Se todos os computadores (dos funcionários) fossem retirados dos fóruns, pararia a Justiça do estado de São Paulo inteiroâ€, declara Luciana.
No próximo dia 10, a categoria pretende fazer uma manifestação em frente ao Palácio da Justiça, em São Paulo, como forma de pressionar o governo a fazer a reposição salarial. Na opinião de funcionários do Judiciário, a manifestação de ontem serviu de alerta para o fato de que pode haver nova greve.
“Ninguém tem intenção de fazer greve de novo, a gente espera que o TJ e o governo do Estado tomem uma providência antesâ€, diz a escrevente Débora Prudente Santana, 23 anos.
Segundo ela, há algum tempo houve doação de computadores para o fórum, mas sem impressoras. “O computador fica parado. Eu estou usando a máquina de escrever ou o computador de outro funcionárioâ€, revela Débora.
Na opinião de outro escrevente, Luís Andreghetto, 36 anos, o impasse entre funcionários e governo quanto à reposição salarial é “lamentávelâ€. Segundo ele, o fórum recebeu doações de advogados e de um banco, mas em grande parte, são incompatíveis com os programas utilizados. “Os computadores que não foram doados são dos próprios funcionáriosâ€, declara Andreghetto.
Para o também escrevente Renato Albino, 38 anos, o aniversário “comemorado†ontem foi mesmo um alerta. “O mais difícil foi conseguido: o reconhecimento do Tribunal dessa divída. Mas e o pagamento?â€, questiona. E compara: â€œÉ a mesma coisa que passar um cheque sem fundos.â€